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Nino Vieira Assassínio Justiça CEDEAO Impunidade

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Guiné-Bissau/Nino Vieira: Liga aplaude Tribunal da CEDEAO

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Exéquias do presidente assassinado João Bernardo Vieira em Bissau a 10 de Março de 2009. Foto : Reuters

Na Guiné-Bissau a Liga dos direitos humanos regozijou-se com a decisão do Tribunal da CEDEAO, Comunidade económica dos Estados da África ocidental, condenando o Estado guineense a pagar cerca de 70 000 dólares à família do antigo presidente "Nino" Vieira.


O antigo presidente fora assassinado em Março de 2009, num caso que a justiça arquivou a respectiva investigação em Dezembro do ano passado.

Na altura o Procurador Geral da República, Bacari Biai, alegou que ao fim de seis anos após o início de uma investigação ou se proferia uma acusação ou o caso era arquivado.

Uma das suas antigas esposas, Nazaré Vieira, residente em França, apresentara queixa junto do Tribunal da CEDEAO.

Um órgão que em Maio passado acabara por exigir que o Estado guineense indemnizasse a família do chefe de Estado assassinado.

Na óptica de Vitorino Indenque, vice-presidente da Liga, se não há justiça internamente é normal que os cidadãos se voltem para outras instâncias para a obter.

Vitorino Indenque, vice-presidente da Liga guineense de direitos humanos 09/08/2018 ouvir

João Bernardo Vieira, antigo chefe de Estado guineense, foi assassinado em Março de 2009 escassas horas após Tagmé na Waié, chefe de Estado maior general das forças armadas, ter sido abatido.

Na altura ambos os responsáveis tinham um diferendo notório, nunca ficou, porém, cabalmente provado o envolvimento de militares na execução de "Nino" Vieira, nome por que era conhecido, na sua residência a 2 de Março de 2009.

As circunstâncias do ocorrido continuam por esclarecer, com algumas das testemunhas oculares, nomeadamente a sua viúva, Isabel Vieira, actualmente radicada na Guiné Equatorial, a não terem alegadamente sido ouvidas pela justiça.

"Nino" Vieira, herói da libertação em relação a Portugal lera a declaração de independência em Colinas do Boé a 24 de Setembro de 1973 como presidente da Assembleia Nacional popular.

Só no ano seguinte, após a Revolução dos Cravos, a potência colonial, Portugal, reconheceu a independência guineense.

"Nino" Vieira foi o autor do golpe de Estado que o levou ao poder em Novembro de 1980, acabaria por ser derrubado em 1999, na sequência de um conflito militar.

Voltou ao país do seu exílio português em 2005, ano em que ganha as eleições presidenciais contra Malam Bacai Sanhá.

Quatro anos depois foi assassinado em circunstâncias ainda por esclarecer.