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Claude Lanzmann: morre cineasta de Shoah

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Claude Lanzmann, realizador de Shoah, filme com o qual ele construiu uma memória do Holocausto LOIC VENANCE / AFP

O cineasta e escritor francês, realizador do documentário "Shoah" com uma duração superior a nove horas consagrado ao holocausto, faleceu na quinta-feira em Paris com 92 anos de idade. Segundo a Editora Gallimard, com a qual ele tinha um contrato, Lanzamann revelou nos últimos dias um estado de saúde frágil. Admirado pela sua obra literária e cinematográfica, Claude Lanzamann foi uma figura que marcou o século vinte francês.Lanzamann,sublinhou por várias vezes que a sua vida foi um percurso marcado por batalhas.Eu construi-me ,disse ele uma vez.


Defensor convicto da causa de Israel, o cineasta, jornalista e escritor francês, Claude Lanzmann faleceu em Paris,no dia 5 de Julho com 92 anos de idade. A noticia da morte do realizador do documentário Shoah foi divulgada pelo editora Gallimard, que destacou o frágil estado de saúde de Claude Lanzmann no decurso dos últimos dias.

O falecimento do cineasta ocorreu um dia depois da estreia,na quarta-feira, do seu último filme, Les quatre Soeurs (As quatro irmãs) cujas imagens foram realizadas durante a filmagem do seu histórico Shoah sobre o extermínio dos judeus na Europa,no período da Segunda Guerra Mundial,no início da década de 1940.

Claude Lanzmann amigo de Jean-Paul Sartre e de Simone de Beauvoir, foi também director da revista literária francesa Temps Modernes, criada em Outubro de 1945 por Sarte e cujo nome foi baseado num filme do cineasta,actor, músico e compositor britânico Charlie Chapin. Lanzmann, que segundo ele, construiu a sua própria vida, reivindicava a sua qualidade de combatente pela verdade e o seu amor louco pela vida. Ele não receia o que fez, porque tudo o fez foi fruto da sua construção pessoal.

Claude Lanzmann arquivo 05/07/2018 ouvir

 

Eu creio que realizei grandes coisas, que ficarão para sempre, isso não me mete medo. Eu construi-me , eu próprio.Não sou um herdeiro. Eu tive que conquistar a minha própria legitimidade. No princípio eu era alguém completamente ilegítimo, mas tenho laços fortes com a língua francesa.

E eu oponho sempre por um lado a vaidade e a modéstia e por outro o orgulho e a humildade.Sinto-me profundamente humilde.Mas estou orgulhoso do que fiz .

E acredite que, quando se trabalha durante doze anos da sua vida a realizar uma obra como Shoah, perde-se toda a vaidade pessoal. A mesma não faz sentido. Mas essas são pessoas estúpidas e violentas,é sempre a mesma coisa. (Claude Lanzmann)

Claude Lanzmann tinha nascido no dia 27 de Novembro de 1925 em Bois-Colombes, no oeste da região parisiense, no seio de um família de origem judaica, oriunda da Europa de leste.

A partir de Setembro de 1938, ele vai prosseguir o ensino secundário no Liceu Condorcet em Paris, onde descobriu pela primeira vez o anti-semitismo, quando assistiu práticamente ao linchamento de um aluno judeu de apelido Lévy .

Durante a Segunda Guerra Mundial ele ingressou na Juventude Comunista (Jeunesses Communistes) e nas células da Resistência( Résistance ) em Clermont-Ferrand,onde esteve internado no Liceu Blaise-Pascal.

Em janeiro de 1945, ele é admitido ao primeiro ano da classe preparatória ao concurso de entrada na Escola Normal Superior, no Liceu Louis-le-Grand  em Paris, onde ele conhecerá Jean Cau,secretário de Jean-Paul Sartre ( 1946-1957) , com quem ele vai tecer fortes laços de amizade.

Posteriormente ele frequentará as Universidades de Sorbonne, onde estuda filosofia,e de Eberhard Karl de Tübingen,na Alemanha. Claude Lanzman será igualmente docente em Berlim entre 1948 e 1949.Em 2009,Lanzmann publicou o livro Le Lièvre de Patagonie,no qual ele conta a história da sua vida, designadamente a descoberta do anti-semitismo.

La Tombe du Divin Plongeur,foi o último livro de Claude Lanzmann publicado em 2012 pelas editora Gallimard.

Num livro em forma de homenagem publicado em 2017, o professor Didier Sicard, afirmou que o cineasta marcou tanto a história do cinema como a do extermínio do povo judeu ( holocausto ),ao qual, de acordo com Sicard, Claude Lanzamann deu uma sepultura.