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Crise social agudiza-se no Equador

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Os protestos violentos levaram a um recolher obrigatório nocturno nas duas maiores cidades do Equador. REUTERS/Ivan Alvarado

A capital do Equador deveria ser palco hoje de grandes manifestações contestando a subida do preço dos combustíveis no âmbito de um acordo concluído com o FMI prevendo uma ajuda de 4,2 mil milhões de dólares contra a implementação de reformas.


Camponeses e indígenas convergiram nos últimos dias rumo a Quito, a capital da qual o presidente e respectivo governo acabaram por sair.

Lenine Moreno instalou-se em Guayaquil, a 270 kms a sudoeste da capital, e tem apelado ao diálogo e denunciado uma tentativa de golpe de Estado orquestrada pelo seu antecessor, com a cumplicidade do presidente venezuelano.

Eis aqui a tradução de um excerto das suas declarações:

"O que ocorreu nestes dias no Equador não é uma manifestação social de descontentamento, de protesto em relação a uma decisão do governo. Não !

Os saques, o vandalismo, a violência demonstram que aqui há uma intenção política organizada para desestabilizar o governo e por cobro à ordem instituída, à ordem democrática.

Acham mesmo ser coincidência que Rafael Correa , Virgilio Hernandez, Ricardo Patiño e Paula Pabon tenham viajado juntos ao mesmo tempo há poucas semanas para a Venezuela ?

O déspota Nicolas Maduro concebeu com Rafael Correa o seu plano de desestabilização.

Foram os corruptos que ao se aperceberem dos passos dados pela justiça para que respondam perante ela e, por isso, são eles que estão por detrás desta tentativa de golpe de Estado.

São eles que estão a usar e a instrumentalizar alguns sectores indígenas e com base nos recursos que roubaram estão a financiar as agressões e os saques.

Eles não querem as instituições democráticas; como democrata rejeito categoricamente este atentado contra a democracia."

Lenin Moreno, presidente da república do Equador 09/10/2019 ouvir

Nicolas Maduro, chefe de Estado venezuelano, que já afastou a possibilidade de qualquer envolvimento na crise do Equador que conhece os maiores protestos desde 2007.

Rafael Correa, antecessor de Moreno na presidência equatoriana, actualmente a viver na Bélgica, denuncia, por seu lado, o facto de o quererem afastar da vida política activa no seu país.

Rafael Correa, antigo Presidente do Equador 09/10/2019 ouvir

A 1 de Outubro, com o anúncio da subida do preço dos combustíveis (que chegaram a disparar 123%) , as autoridades anunciaram também deixar a OPEP, Organização dos países exportadores de petróleo, devido às suas dificuldades financeiras.

Desde então os manifestantes têm ocupado edifícios públicos, com registo de muita violência, obrigando a um reforço das medidas de segurança e à utilização de gás lacrimogéneo por parte da polícia ou ainda à instauração de um recolher obrigatório nocturno nas duas maiores cidades do país.

Moreno obteve, nesta crise, o apoio dos Estados Unidos, da OEA (Organização dos Estados americanos) e de sete países latino-americanos, incluindo Brasil, Colômbia e Argentina.

Uma greve geral ilimitada deveria arrancar também nesta quarta-feira, 9 de Outubro.