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Tolentino Mendonça já é cardeal

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Cerimónia de elevação de novos cardeais no Vaticano. Basílica de São Pedro, 5 de Outubro de 2019. Tiziana FABI / AFP

O bispo português José Tolentino Mendonça, que passou a infância no Lobito, em Angola, foi investido cardeal este sábado, no Vaticano. Matteo Zuppi, arcebispo de Bolonha, na Itália, da Comunidade de Santo’Egidio e um dos quatro mediadores do acordo de paz de 1992 em Moçambique também foi elevado a cardeal. Destaque, ainda, para Eugenio Dal Corso, arcebispo emérito de Benguela, em Angola, que por ter ultrapassado os 80 anos, também foi investido cardeal, mas não eleitor.


O bispo José Tolentino Mendonça tornou-se, este sábado, no 46.º cardeal português da história e no sexto cardeal português deste século, passando a ser o segundo mais novo no Colégio Cardinalício que tem por missão aconselhar o Papa.

José Tolentino Mendonça nasceu no Machico, na Madeira, a 15 de Dezembro de 1965, mas cresceu no Lobito, em Angola, onde viveu com a família até aos 11 anos. Em 1976, Tolentino Mendonça regressou à Madeira na ponte aérea que trazia os retornados e, em 1982, começou os estudos de Teologia.

Ele estudou Ciências Bíblicas em Roma e viveu em Lisboa, onde foi professor e vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa, a instituição que escolheu para o doutoramento em Teologia Bíblica.

Em 26 de Junho de 2018, o também diretor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa foi indigitado como arquivista e bibliotecário da Biblioteca Apostólic do Vaticano, cargo para o qual lhe foi atribuído o título de arcebispo.

Tolentino Mendonça é, ainda, um nome essencial da poesia portuguesa contemporânea e já recebeu vários prémios, entre os quais o Prémio Cidade de Lisboa de Poesia (1998), o Prémio Pen Club de Ensaio (2005), o italiano Res Magnae, para ensaio (2015), o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes APE (2016), O Grande Prémio APE de Crónica (2016) e o Prémio Capri-San Michele (2017).

Ao ser criado cardeal, José Tolentino Mendonça passa a poder eleger o futuro chefe da Igreja Católica e também ser eleito.

Em declarações aos jornalistas, Tolentino Mendonça prometeu "arregaçar as mangas e servir".

José Tolentino Mendonça, Parte 1 05/10/2019 ouvir

José Tolentino Mendonça recebe o anel e o barrete cardinalícios em pleno momento de tensões na Cúria e quando há sectores da Igreja que apontam algumas ideias do Papa como heresias. Na viagem de regresso a Roma, no final de uma deslocação de 10 dias, em Setembro, a Moçambique, Madagáscar e Ilhas Maurícias, o Papa Francisco chegou mesmo a admitir o risco de um cisma na Igreja Católica. Para Tolentino Mendonça, o que o Papa disse foi "não tenho medo".

José Tolentino Mendonça, Parte 2 05/10/2019 ouvir

Matteo Zuppi e Eugenio Dal Corso, cardeais ligados ao mundo lusófono

Este sábado, além de Tolentino Mendonça, foram criados mais nove cardeais eleitores, incluindo Matteo Zuppi, arcebispo de Bolonha, Itália, da Comunidade de Santo’Egidio, um dos quatro mediadores do acordo de paz de 1992 em Moçambique.

Há, ainda, Fridolin Ambongo Besungu, arcebispo de Kinshasa (República Democrática do Congo); Jean-Claude Höllerich, arcebispo do Luxemburgo, onde residem 95 mil portugueses; o espanhol Miguel Ángel Ayuso Guixott, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso; Ignatius Suharyo Hardjoatmodjo, arcebispo de Jacarta (Indonésia); o cubano Juan de la Caridad García Rodríguez; Álvaro Leonel Ramazzini Imeri, arcebispo de Huehuetenamgo (Guatemala); o marroquino Cristóbal López Romero (arcebispo de Rabat) e o checo Michael Czerny, subsecretário da Secção de Migrantes -- Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

Como cardeais não eleitores, por terem ultrapassado os 80 anos, o Papa Francisco escolheu Eugenio Dal Corso, arcebispo emérito de Benguela, em Angola, Michael Louis Fitzgerald, arcebispo emérito de Nepte (Inglaterra), e Sigitas Tamkevicius, arcebispo emérito de Kaunas (Lituânia).