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Mudanças climáticas ameaçam produção de alimentos

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Um campo de soja perto de Santa Fé, Argentina. Getty Images/Silvina Parma

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC - Intergovernmental Panel on Climate Change) publicou esta quinta-feira, 8 de Agosto, um relatório sobre as ligações entre a exploração humana da terra e as consequências nas mudanças climáticas.


A população está a crescer e, com ela, o consumo. Uma tendência que só irá aumentar no futuro, mas os recursos do planeta são limitados, e o solo não é uma excepção.

O relatório destaca a forma como, numa espécie de círculo vicioso, os solos e as florestas debilitados agravam as mudanças climáticas, que, por sua vez, causam impactos negativos na saúde das florestas e do solo.

As conclusões do relatório do IPCC são resultado de dois anos de trabalho de 103 peritos de 52 países, que participaram voluntariamente do estudo. Antes de ser apresentado publicamente, o relatório foi discutido com os governos no início de Agosto em Genebra, na Suíça, e aprovado por consenso por todos os países que participam do IPCC.

O director geral da Acção Angolana para o Desenvolvimento Rural e Ambiente, Sérgio Calundungo, alerta para a necessidade de adoptarmos um consumo mais razoável e sustentável.

Director geral da Acção Angolana para o Desenvolvimento Rural e Ambiente, Sérgio Calundungo 08/08/2019 ouvir

O relatório aponta ainda que, caso o aquecimento global ultrapassar o limite de 2º Celsius estabelecido pelo Acordo de Paris de 2015, provavelmente as terras férteis poderão transformar-se em desertos. As infra-estruturas podem desmoronar-se com o degelo do permafrost, um tipo de solo encontrado na região do Ártico, e a seca e os fenómenos meteorológicos extremos colocarão em risco o sistema alimentar.

Os autores do relatório do IPCC enfatizam que as recomendações do estudo podem ajudar os governos a prevenir danos, reduzindo a pressão sobre a terra e tornando os sistemas alimentares mais sustentáveis.

Os autores estudaram também o sistema alimentar mundial, os limites e a evolução das dietas, em particular quanto ao aumento do consumo de carne. Cerca de 820 milhões de pessoas passam fome, dois mil milhões de adultos têm obesidade ou sobrepeso, e 30% dos alimentos vão para o lixo.