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China proíbe viagens turísticas individuais a Taiwan

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Presidente de Taiwan Tsai Ing-wen REUTERS/Eduardo Munoz

A partir desta quinta-feira (1/09) a China proíbe viagens turísticas individuais para Taiwan, alegando o estado actual das relações entre Pequim e Taipé, que denuncia esta medida como "pressão política" e um "grave erro estratégico".


Até esta quinta-feira (1/08) apenas os cidadãos residentes nas 47 maiores cidades chinesas podiam pedir vistos para viajar para Taiwan, todos os outros chineses necessitam de uma autorização prévia.

Segundo Pequim, as tensões aumentaram com a eleição em 2016 da Presidente de Taiwan Tsai Ing-wen, cujo Partido Democrático Progressista, luta tradicionalmente pela independência da ilha e que segundo Pequim - que continua a considerar Taiwan como uma das suas províncias - recusa reconhecer o príncipio de uma China única, o que levou à ruptura total de relações e mesmo a incursões de aviões militares chineses no espaço aéreo de Taiwan em 2017.

China proíbe viagens turísticas individuais a Taiwan 01/08/2019 ouvir

As forças armadas de Taiwan realizaram esta semana dois dias de exercícios militares, coincidindo com exercícios militares chineses ao largo das costas das províncias Zhejiang e Fujian, em frente a Taiwan que terminam esta quinta-feira (1/08), fazendo pairar o espectro - segundo alguns analistas - da invasão de Taiwan pela China.

Restringindo o turismo a partir desta quinta-feira (01/08) Pequim pretende atingir a economia já em recessão de Taiwan e desestabilisar o governo.

Segundo dados oficiais do Ministério do Turismo de Taiwan dos cerca de 10 milhões de turistas que anualmente visitam a ilha, os chineses representaram pouco mais de 4 milhões em 2015, mais de 2 milhões em 2018 e no primeiro semestre de 2019 foram cerca de 670 mil, o que representa uma queda de 0,2% no PIB de Taiwan, segundo a agência de notícias britânica Reuters.

Taiwan tem eleições presidenciais em 2020 e a China está preocupada com a ajuda e apoio militar que os Estados Unidos dão a Taiwan, pois apesar de não terem relações diplomáticas formais com Taipé, Washington fornece equipamentos e serviços de defesa a Taiwan, e no inicio de Julho foi aprovada provisoriamente a venda de 2,2 mil milhões de dólares de armamento a Tainwan, incluindo tanques e mísseis de defesa anti-aérea, o que claro está preocupa a China, neste momento em plena guerra comercial com os Estados Unidos.

Um pouco de história

Desde 1949 com a chegada dos comunistas e de Mao Tsé-Tung ao poder na China, após três anos de guerra civil, o general dissidente Chiang Kai Shec e membros do seu partido Kuomintang ou KMT, o que significa literalmente Partido Nacionalista Chinês (que de 1928 até 1949 dominou o governo na China), foram expulsos e refugiaram-se na então Ilha Formosa.

Com a ajuda e protecção dos Estados Unidos o KMT - partido considerado conservador - instaurou um governo nacionlaista, presidido por Chiang Kai Shec, que não reconhece a República Popular da China e que governou Taiwan até 2016, quando foi eleita a Presidente Tsai Ing-wen, do Partido Democrático Progressista.