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Migrantes União Europeia Itália Imigrantes clandestinos

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Migrantes: Guerra de nervos entre Roma e Bruxelas

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O navio de busca e salvamento de migrantes Sea-Watch 3 com a bordo 42 migrantes navega perto da ilha de Lampedusa, Itália, 26 de Junho de 2019. REUTERS/Guglielmo Mangiapane

O barco holandês Sea Watch continua bloqueado junto à ilha italiana de Lampedusa, a capitã alemã do navio após 14 dias em águas internacionais, pretende desembarcar aí 42 migrantes resgatados no Mar Mediterrâneo. A Itália opõe-se a tal medida e ameaça agora a União Europeia com represálias.


Matteo Salvini é o ministro italiano do Interior.

"Se a lei italiana não for respeitada devido ao silêncio cúmplice do governo holandês e da União Europeia podemos equacionar suspender a inserção de quaisquer informações na base de dados europeia. Refiro-me a quaisquer informações sobre a identidade dos migrantes que chegaram à Itália para deixá-los, assim, ir aonde quiserem."

Matteo Salvini, ministro italiano do interior 27/06/2019 ouvir

"Não podemos aguardar mais. Não se pode brincar com o desespero das pessoas aflitas" escrevia nesta quinta de manhã a ong alemã Sea Watch, proprietária do navio, embarcação que navega, porém, com bandeira holandesa.

A Itália tem vindo a descartar qualquer desembarque de migrantes em território seu a não ser que estes fossem imeditamente transferidos para a Holanda ou para a Alemanha.

Em Bruxelas o Comissário da pasta das migrações, Dimitris Avramopoulos afirmou que vários países europeus estavam dispostos em participar na repartição dos migrantes. Este condicionava, todavia, a obtenção de uma solução ao desembarque prévio dos mesmos.

Os 42 clandestinos foram resgatados no Mar Mediterrâneo numa zona sob responsabilidade da Líbia, este país do norte de África estaria disposto em garantir o respectivo desembarque em território seu.

A ong em causa, bem como as Nações Unidas, estima que as condições de segurança na Líbia não estão garantidas.

Enquanto isso Matteo Salvini, o ministro italiano do interior, exigia a captura do barco e que a embarcação fosse imobilizada.

A capitã do navio, a jovem alemã Carola Rackette, afirmava-se disposta em "ir para a cadeia" neste caso escudando-se por detrás do direito marítimo.

Enquanto isso a Itália adoptou um dispositivo legal que permite a Roma proibir a entrada nas suas águas territoriais a navios com clandestinos a bordo.

A capitã e a tripulação do navio arriscam-se a ter que pagar, nomeadamente, multas de 50 000 euros e ainda a ter que entregar a embarcação à justiça.

Circula nas redes sociais uma recolha de fundos para o efeito, até meio do dia desta quinta-feira já foram recolhidos mais de 130 000 euros.

Enquanto os migrantes do Sea Watch esperam por um desfecho vários episódios de migrantes têm vindo a dar às costas europeias.

De acordo com as autoridades italianas quase 500 migrantes desembarcaram em Itália nestas duas últimas semanas.