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Trump cancela ataque ao Irão

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Donald Trump acabou por recuar em relação a ataque contra alvos iranianos. REUTERS/Kevin Lamarque

A escalada de tensão entre Teerão e Washington aumentou de tom nas últimas horas. Aviões e navios de guerra norte-americanos chegaram a estar prontos para um ataque militar, mas Trump recuou à última da hora.


O presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, ordenou um ataque militar ao Irão, esta quinta-feira, depois do país asiático ter abatido um drone norte-americano no estreito de Ormuz. "O Irão cometeu um enorme erro", disse Trump no Twitter.

No entanto, já depois dos aviões no ar e dos navios de guerra posicionados, o chefe de Estado americano cancelou a investida militar, antes mesmo de a ter iniciado.

A notícia foi avançada nas últimas horas pelo jornal The New York Times, que cita um elemento da administração Trump, e que explica ainda que o ataque aprovado pelo presidente americano tinha como alvos radares e baterias de mísseis iranianos. 

Na mira norte-americana estaria, nomeadamente, o sistema anti-aéreo S-125/Pechora, considerado por Washington como o responsável pelo abate do avião não tripulado.

Apesar de não serem avançadas as causas do recuo presidencial, Trump deu a entender que o abate do drone norte-americano poderá não ter sido ordenado de forma directa pelo Irão. "Acho difícil  acreditar que foi intencional", disse ao The New York Times, acrescentando que pode ter sido "um oficial estúpido que agiu à revelia". 

Este é o mais recente acontecimento de uma escalada de tensão entre os dois países, depois dos EUA se terem retirado, o ano passado, de forma unilateral do acordo nuclear assinado em 2015 entre os iranianos e 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - EUA, Reino Unido, França, Rússia e China - mais a Aleamanha).

No documento, o Irão comprometia-se a interromper o programa nuclear de produção de armas e em troca havia um levamento das sanções económicas ao país.

Depois dos norte-americanos se terem retirado do acordo nuclear, Trump impôs desde logo uma uma nova ronda de sanções ao Irão e, três meses depois, uma outra. O objetivo de Washington passa, por isso, por isolar os iranianos internacionalmente.

No entanto, a subida de tensão tem sido mais violenta nos últimos dias, depois de, na semana passada, um petroleiro norueguês e outro japonês terem sido atacados no golfo de Omã, no Estreito de Ormuz.

Os Estados Unidos responsabilizaram o Irão, que negou qualquer envolvimento no ataque, e garantiu inclusive poder tratar-se de uma acção norte-americana para justificar uma intervenção militar contra o regime de Teerão.

Entretanto, o Irão anunciou que vai à ONU para provar que o drone norte-americano que derrubou estava em espaço aéreo iraniano, ao contrário dos que os EUA afirmam.

No twitter, o ministro das relações exteriores, Mohammad Javad Zarif, garante levar "a agressão à ONU para provar que os EUA estão a mentir", acrescentado ainda que o país "não busca a guerra", mas que defenderá o seu território "no céu, terra e água".