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ONU Investigação Arábia Saudita Jamal Khashoggi Mohammed ben Salmane homicídio

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Perita da ONU diz ter provas para investigar príncipe saudita

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Perita da ONU diz ter provas para investigar príncipe saudita REUTERS/Osman Orsal/File Photo

A relatora especial da ONU afirma que existem provas suficientes de que o príncipe herdeiro saudita, Mohammed Ben Salman, esteve envolvido na morte do jornalista Jamal Khashoggi. Agnès Callamard reclama sanções e uma investigação internacional.


Agnès Callamard acusa a Arábia Saudita de ser "responsável" na "execução extrajudiciária" do jornalista, Jamal Khashoggi, morto brutalmente no dia 2 de Outubro do ano passado, no interior do consulado saudita em Istambul.

De acordo com o relatório "existem elementos de provas credíveis que justificam uma investigação suplementar sobre a responsabilidade individual de altos responsáveis sauditas, incluindo o príncipe herdeiro saudita, Mohammed Ben Salman.

A relatora especial da ONU revela que a equipa de especialistas forenses e legais teve acesso a parte de "materiais de áudio arrepiantes e horríveis" da execução de Khashoggi que foram cedidos pelos serviços turcos de informação.

Agnès Callamard pede uma investigação internacional e a continuação das sanções impostas por vários países, entre eles os Estados Unidos, contra 17 indivíduos implicados nesta morte, mas refere que não são suficientes, uma vez que não têm em conta a responsabilidade dos executantes do homicídio.

Riade, que negou sempre o envolvimento neste caso, acusou 11 pessoas pelo homicídio. A relatora Agnès Callamard denuncia as audiências secretas e a falta de transparência do reino saudita neste caso, exigindo às autoridades que revelem os nomes dos réus e as acusações formadas.

O documento acrescenta que houve um "abuso de privilégios diplomáticos" de Riade em território turco, pelo que deve ser apresentado um pedido de desculpas a Ancara.

O ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Mevlüt Cavusoglu, "apoia veementemente" o relatório da perita da ONU.

O relatório de 100 páginas elaborado ao longo dos últimos seis meses vai ser apresentado no próximo dia 26 de Junho ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, do qual a Arábia Saudita faz parte.