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EUA decidem fim das isenções nas sanções ao Irão

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O petróleo é a principal fonte de receitas do Irão. REUTERS/Raheb Homavandi/File Photo/File Photo

Ontem, a administração Trump anunciou que a partir do próximo 2 de Maio, os países que continuem a comprar petróleo iraniano, serão alvo de sanções, esta medida abrangendo os 8 países que até agora têm sido isentos destas sanções, a China, Taiwan, Turquia, Índia, Japão, Coreia do Sul, Itália e Grécia. O objectivo declarado do Presidente americano é "levar a zero as exportações" de petróleo do Irão e "privar o regime da sua principal fonte de receitas".


Depois de ter anunciado a sua decisão em Maio do ano passado de sair do Acordo nuclear concluído em 2015 entre as grandes potências mundiais e Teerão, aumentando a pressão em seguida, no passado mês de Novembro, com a imposição de sanções contra o Irão abrangendo os estados e entidades que continuem a fazer negócios com esse país, Trump decidiu acabar com as isenções de que beneficiaram durante 6 meses os países que mais contactos económicos mantêm com o Irão.

Este anúncio não deixou de suscitar reacções nomeadamente na Europa. A França que juntamente com a Alemanha e o Reino Unido tem estado a criar um mecanismo para contornar as sanções americanas, declarou-se hoje "determinada em continuar a aplicar" o acordo sobre o nuclear iraniano. A Rússia, um dos aliados do Irão, denunciou hoje a política "agressiva e imprudente" de Washington relativamente ao Irão.

Já em Israel, o Primeiro-ministro Netanyahu saudou esta decisão que disse "ser de uma importância capital para reforçar a pressão sobre o regime terrorista iraniano".

No mesmo sentido, a Arábia Saudita, potência rival de Teerão em termos de liderança regional, qualificou esta medida de "necessária para que o regime iraniano ponha fim às suas políticas de desestabilização e de apoio ao terrorismo pelo mundo fora". Em comunicado, Riade também confirmou a garantia já dada por Washington de que não vai faltar petróleo no mercado, ao indicar que "nas próximas semanas, o reino estará em contacto próximo com outros países produtores e principais nações consumidoras de petróleo para garantir um mercado de petróleo equilibrado e estável".

Na linha de mira podem estar nomeadamente a Índia e a China, grandes importadoras de petróleo iraniano. De acordo com dados recolhidos pela agência noticiosa Reuters, sobre os 1,7 milhões de barris que o Irão produzia por dia no ano passado, a Índia chegou a atingir o pico de 874 mil barris importados diariamente no passado mês de Outubro, Nova Deli já tendo indicado que não pretende mudar a sua política relativamente ao Irão.

Mesma posição tem a China que, segundo a agência especializada S&P Global Platts, importou do Irão cerca de 628 mil barris por dia no ano passado. Daí que a reacção de Pequim não se tenha igualmente feito esperar, a China tendo dado conta da "sua firme oposição à aplicação das sanções unilaterais dos Estados Unidos. Pequim que permanece em guerra comercial há meses com os americanos, acrescentou ainda que vai continuar a "salvaguardar os direitos legítimos das empresas chinesas".

Na óptica de Maria João Tomás, vice-presidente do Observatório do Mundo Islâmico em Lisboa, não existem dúvidas de que os parceiros do Irão, tais como a China, não vão abandonar Teerão, esta especialista do Médio Oriente relacionando esta decisão de Trump com a agenda de Israel.

Maria João Tomás, vice-presidente do Observatório do Mundo Islâmico em Lisboa 23/04/2019 ouvir