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Polémica em torno do Twitt de Trump sobre o Golã

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Donald Trump e Benyamin Netanyahu no 26 de Setembro de 2018 em Nova Iorque. REUTERS/Carlos Barria

Apenas 24 horas depois da tomada de posição ontem, via Twitter, do Presidente americano que se pronunciou a favor do reconhecimento da soberania de Israel sobre a parte do planalto do Golã que conquistou em 1967 e anexou em 1981, fontes próximas da presidência americana indicaram esta tarde que Donald Trump poderia rubricar o texto oficializando este reconhecimento já na próxima semana, por ocasião da visita que o chefe do governo israelita deve efectuar a Washington nas próximas segunda e terça-feira.


Tal como Jerusalém, reconhecida desde 2017 por Trump como sendo capital de Israel, o planalto do Golã é outro motivo de contencioso duradoiro no Médio Oriente. Território estratégico que faz fronteira com a Síria, o Líbano e a Jordânia, o planalto concentra também os poucos recursos hídricos da região, daí que suscite todas as cobiças e lutas.

Israel conquistou militarmente uma parte desse território que é também disputado pela Síria em 1967, ao mesmo tempo que o Sinai, a faixa de Gaza, a Cisjordânia e a zona leste de Jerusalém durante o conflito conhecido como a "Guerra dos seis dias". Mais tarde, foi novamente objecto de um novo conflito em 1973, a "guerra de Kipur", que não alterou o mapa regional, sendo que Israel acabou por formalmente anexar em 1981 esse território, sem que a comunidade internacional o tenha alguma vez reconhecido como fazendo parte do Estado hebreu.

A tomada de posição de Donald Trump surgiu numa altura em que Israel tem acusado o Hezbollah de estar a estabelecer secretamente uma base militar na parte não ocupada do planalto e em que o Primeiro-ministro israelita, colocado em questão em casos de corrupção, está em campanha para ser reeleito nas legislativas de Abril. O sinal ontem dado por Trump não deixou evidentemente de ser saudado por Netanyahu.

Já nos países árabes, o Twitt presidencial suscitou uma avalanche de condenações por parte nomeadamente da Síria para a qual isso "não muda nada ao facto de que o Golã é e vai permanecer árabe e sírio". No mesmo sentido, o Conselho de Cooperação do Golfo, organismo que junta a Arábia Saudita, o Bahrein, os Emirados Árabes Unidos, Oman, o Qatar e o Koweit, também lamentaram este posicionamento, a Turquia considerou que as declarações de Trump "colocam a região perto de uma nova crise", o Egipto reiterou que a anexação do planalto por Israel não tem valor legal, à semelhança do que foi reiterado hoje igualmente pela União Europeia.