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Venezuela: sobe a tensão nas fronteiras com o Brasil e a Colômbia

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Milhares de pessoas convergiram para Cucuta, localidade da Colômbia que faz fronteira com a Venezuela onde decorre o "Venezuela Live Aid" AFP

Subiu um novo patamar a tensão na Venezuela, especialmente nas zonas que fazem fronteira com a Colômbia e com o Brasil. Ontem, duas pessoas morreram e outras 15 ficaram feridas num confronto entre indígenas e militares venezuelanos no estado de Bolívar que faz fronteira com o Brasil, quando a população local tentava manter aberta uma estrada para a entrada de ajuda humanitária pelo Brasil, indicou hoje a "Kapé Kapé", uma organização de defesa dos Direitos Humanos.


Paralelamente, milhares de pessoas convergiram para Cucuta, localidade da Colômbia que faz fronteira com a Venezuela onde já está a decorrer o"Venezuela Live Aid", o megaconcerto organizado pelo magnata Britânico Richard Branson a favor da entrada no país da ajuda humanitária enviada pelos Estados Unidos em resposta ao apelo do presidente autoproclamado Juan Guaidó.

Washington afirma ter enviado já ajuda suficiente para alimentar 2 mil pessoas num mês. Neste sentido, o representante especial dos Estados Unidos para a Venezuela, Elliott Abrams, jà deixou a Florida para se dirigir igualmente para a fronteira entre a Colômbia e a Venezuela, onde se deve avistar com os seus parceiros na região, os Presidentes da Colômbia, do Chile e do Paraguai. Ainda antes de viajar, o emissário apelou os militares venezuelanos a não bloquear a entrada da ajuda.

Do outro lado da fronteira, à distância de uma ponte, um contra concerto está a ser igualmente organizado, desta vez, pelos apoiantes do presidente Maduro que mandou encerrar as fronteiras com a Colômbia e com o Brasil. Nicolás Maduro anunciou ontem a chegada de 300 toneladas de ajuda humanitária proveniente nomeadamente da Rússia. Retomando as acusações já proferidas por Maduro, Moscovo hoje acusou os Estados Unidos de estarem a "servir-se da ajuda humanitária como pretexto para uma acção militar para derrubar o Presidente Maduro".

O facto é que nos bastidores, continua uma intensa actividade diplomática.
Depois de se ter avistado ontem com o Secretário de Estado americano, o Secretário-Geral da ONU avista-se hoje com o chefe da diplomacia da Venezuela. Até agora, António Guterres tem recusado tomar partido nesta crise e tem igualmente rejeitado a "politização" da ajuda humanitária. O Secretário-geral da ONU, contudo, ofereceu-se para tentar encontrar uma saída de crise desde que haja um acordo das duas partes.

Segundo dados divulgados hoje pela ONU, a crise na Venezuela já levou à saída do país de 2,7 milhões de habitantes desde 2015.