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Oxfam: ficou mais fundo o fosso entre ricos e pobres

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Capa do relatório da Oxfam intitulado "Serviços públicos ou fortunas privadas?" Oxfam

Praticamente em vésperas do início amanhã do Fórum Económico Mundial que decorre em Davos na Suíça até Sexta-feira, a ONG Oxfam divulgou ontem o seu relatório anual, um documento no qual aponta que os 26 mais ricos do mundo possuem tanto quanto a metade mais pobre da Humanidade.


Entre os 26 mais ricos do mundo, a Oxfam que cita uma classificação elaborada pela revista Forbes, enumera -na ordem decrescente- Jeff Bezos, patrão do gigante do comércio on-line Amazon, Bill Gates, patrão da Microsoft, Bernard Arnault, francês dono do grupo de luxo do mesmo nome, ou ainda Mark Zuckerberg, o mediático presidente do gigante das redes sociais Facebook. Eles constam da ínfima minoria cujo rendimento é o equivalente daquilo que ganha a metade mais pobre da Humanidade, segundo a Oxfam.

Ao referir que em 2018, a fortuna dos mais ricos aumentou em 900 mil milhões de Dólares, ou seja 2, 5 mil milhões por dia, a Oxfam constata que durante esse mesmo período, os rendimentos da metade mais pobre da Humanidade desceram em 11%. A mesma ONG também refere que o número de bilionários duplicou desde a crise financeira de 2008, ou seja, passou de 1125 para 2208 no ano passado e sobretudo, observa que esta faixa da população mundial paga bem menos impostos do que os mais pobres em termos de proporções.

Com efeito, segundo estimativas da Oxfam, sobre um Dólar de impostos sobre os rendimentos, apenas 4 cêntimos são provenientes de impostos sobre a riqueza.
Ora isto tem impactos sobre o financiamento dos serviços públicos, mas também sobre o ritmo da luta contra a pobreza que, de acordo com a Oxfam, tem sido divido em 2 desde 2013. Ainda hoje, a nível mundial, cerca de 3,5 mil milhões de pessoas vivem com menos de 5,5 Dólares por dia, na sua larga maioria na África Subsariana.

Estas constatações surgem numa altura em que tem havido um grande debate a nível mundial sobre a repartição das riquezas bem como da carga fiscal. Aqui em França, esta tem sido uma das reivindicações centrais das manifestações dos "coletes amarelos" e nos Estados Unidos, a mediática jovem parlamentar democrata Alexandria Ocasio-cortez tem dado voz à proposta de elevar a 70% o encargo dos impostos para os mais ricos.