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Estados Unidos Eleições intercalares Donald Trump

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Estados Unidos elegem Congresso dividido

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Presidente dos EUA, Donald Trump, em Missouri, 5 de Novembro de 1818. REUTERS/Carlos Barria

O Presidente norte-americano afirmou querer "trabalhar junto" dos democratas depois das eleições intercalares. Os Estados Unidos elegeram um Congresso dividido: a oposição democrata recuperou a Câmara de Representantes, mas o Partido Republicano manteve o Senado numas eleições consideradas como um referendo ao Presidente norte-americano, que reivindicou uma vitória pessoal.


Nas bipolarizadas eleições de meio de mandato, o partido do antigo Presidente Barack Obama cumpriu o objectivo de dominar a Câmara de Representantes, algo que não acontecia desde 2010, mas não conseguiu completar a "onda azul" anti-Trump, ao perder no Senado.

"Tremendo sucesso", escreveu o Presidente norte-americano num tweet. Donald Trump acompanhou os resultados na Casa Branca, onde passou o dia com amigos e familiares.

O Presidente telefonou ao líder do Senado, Mitch McConnell, para lhe dar os parabéns pelas "conquistas históricas" depois de os republicanos aumentaram para 52, num total de 100, o número de assentos na Câmara de Representantes, informou a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders.

Para Donald Trump, porém, perder o controlo do Congresso, depois da sua surpreendente vitória há dois anos, é um golpe apesar dos resultados económicos positivos na economia norte-americana. Resultados que podem complicar as perspectivas para os próximos dois anos de mandato.

Maremoto democrata não teve lugar 07/11/2018 ouvir

Com esta vitória, os democratas podem não apenas bloquear iniciativas do Presidente, como investigar os orçamentos e aprofundar a investigação sobre a suspeita de conluio entre a equipa de campanha e a Rússia em 2016, aumentando a possibilidade de que se inicie um processo de destituição.

Nancy Pelosi, a actual líder da minoria democrata na Câmara de Representantes, deve voltar a presidi-la, anunciou a "restauração dos poderes e contra poderes constitucionais", mas prometeu trabalhar com os republicanos.

"Um Congresso democrata vai trabalhar em soluções que nos unam, porque todos tivemos divisões", afirmou.

Os democratas registaram importantes e simbólicas vitórias. Um desses casos é a ascensão de Alexandria Ocasio-Cortez, de origem porto-riquenha e nascida no Bronx, que fez história ao tornar-se, aos 29 anos, a mulher mais jovem a chegar ao Congresso.

Sharice Davids e Deb Haaland também se destacaram como as primeiras indígenas americanas a chegarem à Câmara.

Na Flórida, Donna Shalala ficou com a cadeira da veterana republicana Ileana Ros-Lehtinen, primeira cubano-americana eleita para o Congresso e que se aposenta. No Senado, Bob Menéndez foi reeleito em Nova Jersey, para alívio dos democratas, que temiam que as acusações de corrupção lhe custassem o cargo.

Em todo país, os eleitores formaram filas para se expressar depois de uma tensa campanha, marcada por actos de violência: o envio de pacotes-bomba a opositores de Donald Trump e o massacre numa sinagoga em Pittsburgh, que tirou a vida a 11 pessoas.

Donald Trump inflamou a campanha com sua retórica anti-imigrante e nacionalista, parece ter estimulado a participação nas urnas. O Presidente norte-americano continua a juntar apoios através de um discurso racista destaca o politólogo português Álvaro Vasconcelos.

Politólogo português, Álvaro Vasconcelos 07/11/2018 ouvir

Nestas eleições estavam em jogo 435 assentos da Câmara de Representantes, 35 cadeiras do Senado, 36 governos de estados americanos, além de vários cargos locais, como prefeitos, juízes e xerifes.