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Macron quer um "exército verdadeiramente europeu"

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O Presidente francês Emmanuel Macron neste dia 6 de Novembro, no norte de França. Ludovic Marin

O presidente Macron deslocou-se hoje a Verdun, no norte de França, no âmbito da comemoração do centenário do fim da primeira guerra mundial. Por esta ocasião, o chefe de Estado francês defendeu a ideia de uma Europa forte face ao que denomina de "absurdo" dos nacionalismos. Em vésperas deste discurso, numa entrevista a uma radio nacional, Emmanuel Macron defendeu a criação de um "exército verdadeiramente europeu" para fazer face à Rússia.


"Não poderemos proteger os europeus se não decidirmos dotar-nos de um verdadeiro exército europeu face à Rússia que está junto das nossas fronteiras e que mostrou que poderia ser ameaçadora" declarou o presidente francês antes de acrescentar "devemos ter uma Europa mais capaz de se defender sozinha, sem depender somente dos Estados Unidos".

Esta preocupação, sempre implicitamente presente na Europa, ganhou intensidade depois de Donald Trump ter anunciado no passado dia 20 de Outubro a sua intenção de se retirar do acordo de não-proliferação nuclear estabelecido com a Rússia em 1987, o presidente americano acusando Putin de não respeitar os termos do compromisso. Washington refere nomeadamente que Moscovo tem andado a desdobrar um sistema de mísseis 9M729, cujo alcance seria, segundo os americanos, superior a 500 km, o que constitui uma violação do referido tratado.

A estas ameaças, Putin respondeu dizendo que "no caso de os americanos instalarem novos mísseis na Europa, os russos deveriam obviamente responder de forma simétrica" e que "se os países europeus aceitassem isso, deveriam entender que estariam a expor-se a uma possível resposta no seu território".

Até agora, no seio da União Europeia, considerava-se que a defesa era uma questão a ser vista soberanamente por cada estado, daí a Europa da defesa nunca ter avançado. Contudo, no passado mês de Junho, oito países da união, entre os quais a França e a Alemanha estabeleceram reforçar a sua cooperação nesta matéria. Resta agora que lançar um mecanismo semelhante ao da NATO, a nível europeu, implica esforços orçamentais. Com 36 mil milhões de Euros em 2019 para a defesa, a França está na dianteira a nível europeu. Já outros países mostram-se renitentes em dedicar 2% dos seus financiamentos à defesa.

Outra incógnita é saber se de facto Trump vai ou não confirmar o seu anúncio. Dentro de alguns dias, Putin e Trump devem avistar-se à margem das comemorações do 11 de Novembro, o fim da primeira grande guerra, aqui em França.