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Eleições de meio mandato nos Estados Unidos

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Manifestante exibindo um cartaz "Eu vou votar" junto da sede do Congresso em Washington. Alex Edelman/AFP

Os eleitores americanos são hoje chamados às urnas no âmbito das eleições de meio mandato, um escrutínio em que alguns estados elegem novos governadores e outros representantes locais e renova-se a totalidade da câmara dos representantes assim como um terço do senado. Até agora os republicanos têm estado em vantagem tanto na câmara dos representantes como no senado, mas o equilíbrio de forças poderia modificar-se depois destas eleições.


No que diz respeito ao Senado que hoje vê um terço dos seus eleitos serem renovados, ou seja um pouco mais de 30 senadores, os republicanos que têm 51 senadores face a 49 para os democratas, estão numa situação mais confortável, uma vez que no referido terço, estão hoje em jogo 26 assentos para os democratas e 9 para os republicanos, o que matematicamente significa que os democratas têm mais a perder.

Por outro lado, sobre a totalidade dos 435 assentos que contabiliza a câmara dos representantes, os democratas até agora em desvantagem, precisam de conservar os seus assentos e conquistar no mínimo mais 23 assentos para alcançar a maioria.

Segundo projecções eleitorais, este é um cenário plausível e, a confirmar-se uma vitória dos democratas, isto significa que Trump poderia encontrar mais obstáculos na implementação das suas políticas. Uma maioria democrata na câmara dos representantes significaria a possibilidade de chefiar comissões parlamentares que poderiam, por exemplo, investigar as suspeitas de conluio entre o presidente e a Rússia e fica também aberta a eventualidade -muito remota segundo observadores- de os democratas lançarem um processo de "impeachment".

Na hipótese de os democratas conseguirem tomar o controlo do senado, também terão a possibilidade de vetar eventuais nomeações de Trump no Supremo Tribunal, no sistema judiciário federal e até postos executivos no seio da administração.

Cada campo tem, por conseguinte, muito em jogo nestas eleições que habitualmente não suscitam grande interesse mas que poderiam, desta vez, ser marcadas por uma maior mobilização dos eleitores. O forte empenho de Trump nesta campanha, com uma dezena de comícios em menos de uma semana em oito estados nestes últimos dias, dá a esta eleição contornos de referendo sobre a política de Trump, o presidente em exercício não escondendo a ambição de brigar um segundo mandato em 2020, como observa José Palmeira, professor de Ciência Política na Universidade do Minho, em Portugal.

José Palmeira, professor de Ciência Política na Universidade do Minho, entrevistado por Carina Branco 06/11/2018 ouvir