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Encontro Moon Jae-in Coreia do Sul Kim Jong-Un Coreia do Norte Cimeira Donald Trump

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Presidentes das Coreias avistaram-se e querem cimeira com Trump

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Presidentes sul-coreano, Moon Jae-in e norte coreano, Kim Jong-un, no encontro de 26 de maio, na cidade de Panmunjom, do lado da Coreia do Norte The Presidential Blue House /Handout via REUTERS

Os presidentes das 2 Coreias, Moon Jae-in e Kim Jong-un, encontraram-se ontem  pela segunda vez, em menos de 2 meses. Este segundo encontro, foi sobretudo, para os 2 presidentes debaterem a necessidade de haver a cimeira de Kim Jong-un e Donald Trump, inicialmente, prevista para 12 de junho, mas anulado pelo presidente americano. Volta-se a falar na realização dessa cimeira.


O presidente sul-coreano, Moon Jae-in e o seu homólogo norte-coreano, Kim Jong-un, voltaram-se a encontrar ontem na zona desmilitarizada das Coreias, num espaço de menos de 2 meses.

Mas não se ficaram pela zona desmilitarizada, com o presidente sul-coreano, indo conversar com o seu homólogo, na cidade de Panmunjom, na Coreia do Norte. 

Este encontro de ontem, teve como objectivo fundamental, debater a necessidade da realização da cimeira entre o Presidente americano, Donald Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, prevista para 12 de junho, em Singapura, mas anulada a 24 de maio pelo presidente americano. 

Donald Trump, dois dias antes, 22 de maio, tinha recebido na Casa Branca, o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, para analisarem as últimas evoluções, e como é evidente, mandou o presidente sul-coreano, ir explicar claramente, a Kim Jong-un, que a cimeira só teria lugar se ele cumprisse as suas promessas de desnuclearização norte-coreana.

Moon optimista afirma que Kim compreendeu mensagem de Trump

O Presidente sul-coreano, Moon, declarou depois do encontro com Kim, estar convicto de que a cimeira entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, vai ter lugar, a 12 de junho.

Logo a seguir ao encontro, o presidente Trump, telefonou ao seu homólogo sul-coreano, para saber se a sua mensagem foi bem compreendida por Kim Jong-un. Trump, telefonou igualmente ao seu parceiro do Japão, o primeiro-ministro, Shinzo Abe, para o informar sobre a conversa entre os presidentes das Coreias. 

Trump, declarou então à imprensa que aparentemente os dois presidentes das Coreias, estavam de acordo sobre a importância da cimeira de Singapura, e que, portanto, ele poderia rever a sua posição e manter a data de 12 de junho.

Mas o presidente americano, disse também, que a cimeira poderia ter lugar noutro país, a 12 de junho, ou mais tarde, dependendo da evolução da situação.

Aliás, uma delegação americana já estará a caminho da fronteira das Coreias e para Singapura para preparar a cimeira entre Kim e Trump. 

Mantém-se portanto a desconfiança entre os dois principais actores desta cimeira, Kim Jong-un e Donald Trump.

Kim quer ser bem visto pelo mundo e Trump exige desnuclearização

Kim Jong-un, que pediu a cimeira, quer ter uma boa imagem a nível internacional, e está muito interessado que ela tenha lugar, e com o presidente Trump, o homem mais poderoso do mundo.

Do seu lado, Trump, que sempre disse que conversar com Kim Jong-un era uma perda de tempo, não quer ir à cimeira e não obter, a exigida desnuclearização norte-coreana.

A estratégia de Donald Trump, é ganhar sempre, na mesa de negociações, fazendo poucas concessões e não está disposto a aceitar que a Coreia do Norte, continue a dispor de arma nuclear, com Kim Jong-un, ameaçando os Estados Unidos e lançando mísseis contra os seus vizinhos.

Aliás, na carta que escreveu a Kim Jong-un, a 24 de maio, Trump, voltou a reafirmar, que apesar de o presidente norte-coreano, dizer que tem capacidade nuclear, os Estados Unidos, são a maior potência termonuclear do mundo, e que pedia a Deus, não vir um dia fazer uso do nuclear, por causa da imprudência do presidente da Coreia do Norte.

Donald Trump, autor da Arte de Negociação, negoceia misturando a artimanha e a força, e no caso, parece conhecer tão bem, ou melhor, o grande estratego chinês da Antiguidade, Sun Tsu,  do que os chineses, em particular, e os asiáticos, em geral.

O actual presidente americano, tem um pensamento estratégico, bem definido nos seus livros e nas suas entrevistas, desde o começo dos anos 80 do século passado, que, duma maneira geral, os especialistas de Relações Internacionais e os políticos, desconhecem.

Por exemplo, numa célebre entrevista à revista Manhattan.inc. de novembro de 1985, Donald Trump, quando já pensava em ser candidato às presidenciais, explica, claramente, a sua estratégia, sobre desarmamento nuclear, com a União soviética, França e mesmo o processo de paz israelo-palestiniano. 

Tudo o que ele tem feito sobre a Coreia do Norte, enquadra-se no desarmamento nuclear global defendido nessa entrevista.

Sem dizer, que enquanto candidato presidencial,Trump, disse várias vezes nos seus comícios que estava disposto a encontrar-se com Kim Jong-un, para resolver a questão nuclear, pois, "como homem de negócios falava com toda a gente".

Disse, então, a mesma coisa sobre o interesse nacional e internacional em conversar com o presidente Putin, da Rússia, sancionada pela comunidade internacional.