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Putin recebe Macron em São Petersburgo

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Os chefes de Estado russo Vladimir Poutine e o francês Emmanuel Macron encontram-se esta quinta-feira em São Petersburgo PHILIPPE WOJAZER / POOL / AFP

Um ano depois do primeiro frente-a-frente em Versalhes, os chefes de Estado russo Vladimir Poutine e o francês Emmanuel Macron encontram-se esta quinta-feira em São Petersburgo, num contexto conturbado e com a Síria, Ucrânia e o nuclear iraniano a dominar a agenda.


A primeira visita de Emmanuel à Rússia ocorre por ocasião do Fórum Internacional Económico de São Petersburgo, o principal encontro dos empresários russos. No encontro são esperados, entre outros, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e o responsável pela diplomacia moçambicana, José Pacheco.

De acordo com o Eliseu, o encontro entre Putin e Macron que terá lugar ao fim do dia de hoje, no faustoso palácio Constantino sobre o golfo da Finlândia, deverá permitir aos dois dirigentes “tempo para o profundo frente a frente”.

Emmanuel Macron pretende “um diálogo substancial para alcançar pontos de acordo comuns”, acrescentou a presidência francesa, sublinhando que o Presidente tem “consciência da dificuldade que isto representa”.

Assuntos não vão faltar. Depois dos anos de tensão ligados à crise ucraniana, o conflito sírio e o envenenamento do ex-espião russo na Inglaterra. Este último episódio provocou uma onda de expulsões de diplomatas entre a Rússia e os Ocidentais, nomeadamente da França.

Pontos de convergência

Face aos temas controversos, um ponto de convergência surgiu com a retirada dos Estados Unidos do acordo sobre o programa nuclear iraniano. Uma saída acompanhado de ameaças de sanções americanas, se Teerão não respeitar a lista de exigências draconianas com vista a um novo acordo.

Sobre este assunto, Moscovo e a Europa defendem uma posição comum. As duas partes desejam preservar o acordo iraniano. Discreto sobre este tema, Vladimir Putin teve já vários encontros onde debateu este dossier e deverá receber amanhã Angela Merkel.

Síria e Ucrânia

Porém, o conflito sírio tem estado a “envenenar” as relações entre Paris e Moscovo. A guerra civil que já fez mais de 350 mil mortos desde do início da guerra em 2011.

Aliado fiel de Bachar al-Assad, Moscovo tem intervindo militarmente na Síria desde 2015 e tem denunciado vivamente os ataques dos Estados Unidos, da França e do Reino Unido. O ataque de finais de Abril contra as posições de Damasco foi em resposta a um presumível ataque químico.

A situação na Ucrânia, onde os combates que opõem desde há quatro anos governo pro-ocidental e rebeldes pro-russos, conheceu nos últimos dias um aumento de tensão. Macron e Putin devem evocar este conflito que fez 10 mil mortos desde 2014 e onde os ocidentais acusam a Moscovo de intervir militarmente, acusações desmentidas pela Rússia.

Negócios e direitos humanos

Todavia, os europeus perceberam que é inevitável falar com Putin, defende o especialista do cento Carnegie, Alexandre Baounov. Angela Merkel e Shinzo Abe já começaram os contactos com Moscovo, e Macron receia que a França “perca a corrida com a Rússia”. Emmanuel Macron quer mostrar que a França continua a ser, apesar das sanções dos últimos anos, um dos maiores investidores estrangeiros e que pretende continuar a fazer negócios no país.

Ao lado de Vladimir Putin, Emmanuel Macron vai discursar amanhã à tarde diante da nata económica russa presente no Fórum. Macron que estará acompanhado por uma importante delegação de empresários franceses que deverão assinar importantes contratos comerciais.

A ONG Human Rights Watch exortou o Presidente Macron a falar de direitos humanos com Vladimir Putin. A três semanas do início do Campeonato de Mundo de futebol, que decorre de 14 de Junho a 15 de Julho em onze cidades da Rússia, a ONG apelou ao boicote da cerimónia de abertura, alegando o apoio do exército russo a Bachar al-Assad.