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ONU: Resposta de Israel "totalmente desproporcionada"

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Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein. REUTERS/Pierre Albouy

O Alto comissário da ONU para os Direitos Humanos Zeid Ra'ad al-Hussein considerou hoje que a resposta de Israel às manifestações palestinianas na Faixa de Gaza foram "totalmente desproporcionada". Este responsável defendeu igualmente hoje em Genebra um inquérito internacional independente sobre os 60 mortos resultantes da repressão pelo exército israelita de uma manifestação de palestinianos na segunda-feira para protestar contra a instalação pelos Estados Unidos da sua embaixada em Jerusalém.


Para o Alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, os cerca de 2 milhões de habitantes da Faixa de Gaza são literalmente "mantidos enjaulados num bairro da lata desde a nascença até à morte" e os actos dos manifestantes "não pareciam constituir uma ameaça iminente de morte ou de agressão mortífera que pudesse justificar o uso de uma força letal". Em resposta, Aviva Raz Shechter, representante permanente de Israel na sede da ONU em Genebra, lamentou que "uma vez mais" o Conselho dos Direitos do Homem resvale para "uma obsessão anti-Israel".

Paralelamente na Turquia, país cujo Presidente não tem parado de denunciar a atitude de Israel, decorreu hoje em Istambul uma manifestação com milhares de pessoas em solidariedade para com os palestinianos, em paralelo com uma cimeira extraordinária da Organização da Cooperação Islâmica cujo comunicado final apela a "uma protecção internacional do povo palestiniano" e "condena as acções criminosas contra civis desarmados" na Faixa de Gaza. Contudo, pouco se espera deste encontro tendo em conta as divisões entre os países Árabo-muçulmanos, designadamente com a Arábia Saudita mais próxima do que nunca de Telavive na sua aliança contra o Irão.

Também pouco se espera da reunião do Conselho de Segurança da ONU na próxima Segunda-feira para examinar um projecto de resolução do Koweit condenando o uso da força por Israel contra os palestinianos e se reclama o desdobramento de uma força de protecção internacional nos territórios ocupados. Os Estados Unidos, membro permanente e aliados de Israel, não hesitaram já em utilizar o seu direito de veto quando se tratou de tentar adoptar esta semana uma resolução apelando a um inquérito independente e transparente sobre o sucedido.