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Estados Unidos transferem embaixada de Telavive para Jerusalém

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Protesto de palestinianos na fronteira entre a faixa de Gaza e Israel contra a transferência da embaixada americana para Jerusalém, neste 14 de Maio de 2018. REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa

Assinalou-se hoje a inauguração da nova embaixada americana em Jerusalém, cidade reconhecida capital de Israel pelos Estados Unidos, uma transferência que se fez num ambiente de violência contra os palestinianos na Faixa de Gaza.


Na data em que o Estado Hebreu comemora 70 anos de existência, os Estados Unidos transferiram a sua embaixada de Telavive para Jerusalém, materializando deste modo o seu reconhecimento desta cidade como capital de Israel, enquanto os Palestinianos continuam a reivindicar a parte leste, a zona árabe, como sendo a capital do Estado que pretendem criar.

Num Twitt matinal, o Presidente americano Donald Trump que não se deslocou a Jerusalém e se fez representar pela filha Ivanka Trump e o genro Jared Kushner saudou este que é "um grande dia para Israel" e assegurou numa mensagem vídeo que os Estados Unidos continuam "plenamente empenhados na procura de uma paz duradoira entre israelitas e palestinianos". Por sua vez, discursando no acto central perante dignitários americanos e israelitas, o Primeiro-Ministro do Estado Hebreu considerou que "Trump escreveu a História".

Sinal contudo de que esta decisão está longe de fazer a unanimidade, já ontem a maior parte dos embaixadores estrangeiros não se deslocaram à recepção oferecida por esta ocasião por Benjamin Netanyahu e hoje, as reacções de repúdio não têm parado de afluir. A União Europeia reclamou "contenção", a França considerou que "a decisão de transferir a embaixada americana para Jerusalém é contrária ao Direito Internacional", e, por sua vez, a chefe do governo britânico reiterou que o seu país não tenciona mudar a sua embaixada para a "Cidade Santa" e disse "não concordar com a iniciativa dos Estados Unidos".

Igualmente indignado, o presidente Turco considerou hoje que "os Estados Unidos perderam o seu estatuto de mediador no Médio Oriente", Erdogan tendo apelado a comunidade internacional a tomar medidas para "pôr fim à agressão crescente de Israel." Entretanto, foi anunciado que os representantes permanentes dos Estados Membros da Liga Árabe devem manter uma reunião extraordinária na Quarta-feira para abordar esta questão, o Koweit encarando, quanto a si, a possibilidade de pedir uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU.

Também alarmado, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, deu conta da sua "preocupação" com o que se passa em Gaza e no mesmo sentido, a ONG Amnistia Internacional denunciou a" violação abjecta" dos Direitos Humanos e "crimes de guerra" em Gaza onde várias dezenas de palestianos morreram sob balas israelitas quando estavam a manifestar contra a transferência da embaixada americana para Jerusalém. Desde o dia 30 de Março, têm decorrido grandes manifestações de protesto de palestinianos na Faixa de Gaza junto da fronteira com Israel, marchas reprimidas na violência.

Ao dar conta do ambiente tenso em Jerusalém, o Padre Pedro Rodrigues, sacerdote português estabelecido na Cidade Santa, alude também à violência na Faixa de Gaza.

Padre português Pedro Rodrigues 14/05/2018 ouvir