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ETA dissolução: reconciliação de uma sociedade traumatizada ?

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Bandeira da ETA no país basco espanhol ( Photo : Wikimedia )

A organização separatista basca ETA formalizou esta quinta-feira a sua dissolução e o fim de todas as suas actividades políticas, mas a oficialização da declaração só deverá ocorrer este fim de semana.


A organizaçao separatista ETA - Euskadi Ta Askatasuna - Pátria Basca Liberdade - criada em 1959 sob a ditadura franquista, formalizou esta quinta-feira (3/05) a sua dissolução, afirmando ter desmantelado a totalidade das suas estruturas e posto fim às suas actividades políticas, mas esta dissolução definitiva só deverá ser oficializada este fim de semana.

Esta que era a última insurreição armada na Europa ocidental, em quase 60 anos de luta pela independência do país basco espanhol, causou a morte de mais de 800 pessoas, milhares de feridos e 79 sequestros em Espanha e França.

225 membros da ETA continuam detidos, o governo espanhol considera que a organização foi derrotada pelo estado de direito e com as armas da democracia e hoje o primeiro ministro Mariano Rajoy advertiu em discurso televisivo que e cito "não haverá impunidade para os crimes cometidos pela ETA, cujo projecto sempre foi um fracasso contundente...não lhe devemos nada e não temos nenhum reconhecimento" fim de citação.

ETA formaliza dissolução 03/05/2018 ouvir

Amanhã o Grupo Internacional de Contacto organiza um encontro internacional em Cambo les Bains, na região dos Pirinéus Atlânticos, no país basco francês, destinado a reflectir sobre como avançar na resolução do conflito basco, na presença entre outros de Gerry Adams, o ex líder do Sinn Fein irlandês.

O colectivo das vitimas do terrorismo - COVITE - hoje em conferência de imprensa em San Sebastian exige que a ETA condene o terror, cesse de prestar homenagens públicas aos seus militantes quando estes saem da prisão e exige informações sobre 358 crimes inexplicados até à data.

Este colectivo insurgiu-se a 20 de Abril quando a ETA pediu perdão pelos danos causados, porque a oganização apenas pediu perdão às vítimas que não eram parte do conflito, dando a entender que as outras como polícias, eram alvos legítimos.

Por outro lado, segundo um relatório do governo basco, 4.100 queixas contra a polícia por tortura, foram depositadas entre 1960 e 2014 e as vítimas pretendem - tal como a ETA - que esta forma de violência seja igualmente reconhecida em nome da paz e da reconciliação.

A imensa maioria dos bascos espanhóis rejeita a violência, mas uma minoria reclama a independência e nas eleições regionais de 2016 a coligação separatista Eh Bidu obteve 21% de votos.

Em 2011 a ETA considerada terrorista pela União Europeia, dizimada pela detenção de vários dirigentes e rejeitada pela maioria da população, renunciou à violência e no ano passado entregou alegadamente todas as armas em sua posse.

O país basco espanhol que goza de uma forte autonomia fiscal, tem um dos maiores índices de crescimento por habitante em Espanha e uma das mais baixas taxas de desemprego em toda a Espanha.