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Trump promulgou taxas sobre importações de aço e alumínio

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O Presidente Trump assinou ontem o decreto instituindo o aumento das taxas sobre a importação de aço e alumínio. REUTERS/Leah Millis

Tal como tinha já sido anunciado há dias, o Presidente americano assinou ontem na Casa Branca diante de operários do sector da siderurgia, o decreto instituindo o aumento de 25% das taxas sobre as importações de aço e de 10% sobre as importações de alumínio, esta medida devendo entrar em vigor dentro de 15 dias.


A materialização de esta decisão que era uma promessa de campanha, tem sido alvo de especulação há alguns dias, os principais parceiros comerciais dos Estados unidos antevendo uma guerra comercial. A União Europeia, nomeadamente, não esconde a sua preocupação. Ao considerar que a União Europeia devia ter sido isenta destas taxas, a Comissária Europeia para o comércio Cecilia Malmström, não evocou a eventualidade de tomar medidas de retaliação no imediato mas referiu que iria pedir explicações aos Estados Unidos. O facto é que apesar de oficialmente a Europa continuar aberta ao diálogo, a UE tem pensado em várias medidas de retaliação, como a aplicação de taxas sobre produtos agrícolas e manufacturados dos Estados Unidos ou ainda levar o caso até à Organização Mundial do Comércio.

Outros parceiros como a China e o Japão também expressaram receios quanto ao impacto que esta decisão pode ter para a economia mundial. Por sua vez, o Brasil, segundo fornecedor de aço dos Estados Unidos, já indicou que tencionava "proteger os seus interesses", admitindo a possibilidade de apresentar contra-medidas. Na óptica do economista português José Reis, estas novas taxas vão aumentar a desconfiança entre parceiros comerciais.

Economista português José Reis 09/03/2018 ouvir

Ao assinar ontem o decreto instituindo o aumento das taxas sobre as importações de aço e alumínio, Donald Trump não deixou de especificar que cada país abrangido por essas medidas poderia encaminhar conversações com os Estados Unidos com vista a obter isenções."Podemos demonstrar muita flexibilidade" garantiu o Presidente americano.

Todavia, os únicos países isentos destas taxas, o Canadá e o México têm evitado manifestações de triunfalismo. Esta isenção aplica-se enquanto esses dois países estiverem em negociações com os Estados Unidos sobre o ALENA, Tratado Norte-Americano de Livre Comércio. Apesar de não esconder o seu alívio, o México, cujas exportações para os Estados Unidos representam 80% do seu comércio externo, qualificam estas condições como "uma forma de pressão inaceitável".

Neste sentido, ultimamente o México tem intensificado a procura de parceiros comerciais alternativos. No momento em que Trump estava a assinar o seu decreto, no Chile, onze países americanos e asiáticos, entre os quais o México mas também o Canadá ou ainda o Vietname assinaram o TPP, o Tratado de Parceria Transpacífica, um tratado do qual os Estados Unidos tinham ruidosamente anunciado retirar-se no ano passado.

Sem os Estados Unidos, os signatários desse acordo instituindo uma diminuição das barreiras comerciais designadamente sobre os produtos agrícolas representam um total de 13% do PIB mundial.