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Síria, prosseguem os combates em Ghouta

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Ghouta Oriental, Síria, 5 de Março de 2018. REUTERS/Bassam Khabieh

Foi adiado, o envio previsto para hoje de uma coluna de ajuda humanitária da ONU para o enclave rebelde de Ghouta Oriental, a leste de Damasco. Testemunhos locais denunciam a utilização de armas químicas.


Foi adiado, devido aos bombardeamentos do exército sírio, o envio previsto para hoje da segunda coluna de ajuda humanitária da ONU para o enclave rebelde de Ghouta Oriental, a leste de Damasco, onde centenas de pessoas morreram desde 18 de Fevereiro.

A 24 de Fevereiro, o Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade uma trégua humanitária de um mês. O cessar-fogo não foi respeitado e os combates prosseguem.

Testemunhos locais indicam a utilização de armas químicas.

Ussama al-Omari, militante da oposição síria em Ghouta, denuncia casos de pessoas sufocadas e a utilização de armas químicas contra os habitantes daquela região nas últimas 24 horas.

"Houve durante as últimas 24 horas mais de uma centena de bombardeamentos aéreos contra cidades e localidades da Ghouta Oriental. O número de vítimas é muito elevado. Há mais de cinquenta casos de pessoas sufocadas entre os habitantes de Saqba e Hamouriyé, duas cidades da região. Foi utilizado cloro. Bombas incendiárias, bombas com fósforo branco. São armas proibidas. Demonstrar este grau de selvajaria contra os civis da Ghouta Oriental é simplesmente pavoroso. Eis o que fazem o regime de Bachar al-Assad e os seus aliados. Isto é catastrófico. É absolutamente necessário que a comunidade internacional faça alguma coisa".

Ussama al-Omari entrevistado por Sami Boukélifa 08/03/2018 ouvir

Por seu lado, Jean-Yves Le Drian, ministro francês dos Negócios Estrangeiros, prometeu uma reposta forte em caso de prova de utilização de armas químicas na crise síria.

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, desde 2011, que o conflito na Síria provocou, mais de 350 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.

Em entrevista à RFI, Álvaro Vasconcelos, antigo director do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia, sublinha a necessidade de uma solução politica para a Síria, numa altura em que os milhares de mortos deste conflito contam apenas para a comoção internacional.

Álvaro Vasconcelos entrevistado por Cristiana Soares 08/03/2018 ouvir

Confira aqui algumas imagens da região de Ghouta Oriental. De sublinhar que as imagens podem ferir susceptibilidades mais sensíveis.