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Iémen: Tentativas de reconciliação

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As forças separatistas na cidade de Áden a 30 de Janeiro de 2018. REUTERS/Fawaz Salman

No Iémen o conflito prossegue apesar das tentativas de reconciliação da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.


A cidade de Áden, a segunda maior do país, está sob controlo das forças separatistas, isto porque desde domingo, entraram em confrontos com os antigos aliados, o exército leal ao presidente Abd Rabbo Manssur Hadi.

Os confrontos já fizeram pelo menos 38 mortos e 222 feridos, e sobretudo enfraqueceram ainda mais o governo de Hadi, ainda reconhecido pela comunidade internacional como o governo legítimo.

No entanto Hadi perdeu quase todas as posições em Áden, onde se refugiou em 2015 após ter sido expulso da capital Sanaa pelos huthis apoiados pelo Irão.

Hadi, agora refugiado na Arábia Saudita, denunciou um "golpe" separatista contra o seu governo.

Esta crise evidenciou as divisões entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que protagonizaram a coligação que opera desde Março de 2015, com o objetivo de restaurar a autoridade do governo e expulsar os huthis. Segundo a ONU, o conflito entre o governo e os huthis já fez mais de 10 mil mortos.

Riade continua a apoiar o presidente Hadi, enquanto os Emirados treinaram uma força militar iemenita chamada "Cordão de Segurança", que é vista como favorável ao poderoso movimento separatista no sul do país.

Recorde-se que historicamente, Áden foi a capital do Iémen do Sul, um Estado independente antes da sua fusão com o Norte em 1990.

Desde quinta-feira a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos tentam reconciliar os separatistas e as forças governamentais para voltarem a trabalhar juntas contra os huthis.

De referir que a aliança entre o governo e os separatistas do sul nuna foi estável. Em Abril de 2017, Hadi destituiu o ex-governador de Áden, Aidarus al Zubaidi, que no mês seguinte formou um Conselho de Transição do Sul, autoridade paralela controlada pelos separatistas.

Já neste mês de Janeiro de 2018, este conselho deu um ultimato a Hadi, a quem exige a destituição do primeiro-ministro, Ahmed ben bin Dagher, acusado de corrupção. O ultimato expirou no domingo e nesse dia explodiram os confrontos.

Ouça a Crónica sobre o Iémen.

Crónica de Marco Martins 02/02/2018 ouvir