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Conferência Síria Guerra Rússia Paz Turquia

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Conferência da discórdia em Sotchi

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O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov foi interrompido durante o seu discurso hoje em Sotchi. Reuters

A conferência de paz da Síria organizada pela Rússia em Sotchi, junto ao Mar Negro, foi marcada pela confusão, a discórdia e sobretudo a ausência dos principais actores políticos deste processo que uma vez mais não conheceu nenhuma evolução.


Tinham sido enviados 1600 convites, contudo não se deslocaram nem os membros do comité das negociações da oposição síria, os principais interlocutores no seio da oposição, nem os curdos da Síria, nem a França, nem a Grã-Bretanha, nem os Estados Unidos que apoiam o processo de paz na Síria mas sob a égide da ONU e não sob o patrocínio russo, nenhuma dessas iniciativas tendo contudo surtido efeito.

Neste sentido, hoje a conferência abriu com ambições reduzidas. Para além de durar apenas um dia em vez dos dois dias inicialmente previstos, a conferência contou apenas com a presença de representantes do regime de Bachar al Assad, membros da sociedade civil síria e da oposição "tolerada" pelo regime, uma delegação iraniana e Staffan de Mistura, o representante da ONU para a Síria.

Depois de algumas horas de atraso, o chefe da diplomacia russa abriu o encontro tentando ler uma mensagem do presidente Putin, mas acabou por ser vaiado por delegados que acusam a Rússia, aliada de Bachar al Assad, de matar civis na Síria. Em seguida, a sessão plenária também teve que ser suspensa devido ao clima de discórdia reinante.

Para complicar ainda mais a tarefa dos mediadores, o terreno também não dá sinais de apaziguamento. No décimo dia da sua operação contra os curdos no norte da Síria que qualifica de "terroristas", a Turquia multiplicou os bombardeamentos. Apesar das críticas dentro e fora do seu país, o Presidente turco afirmou hoje que "a ofensiva não vai terminar enquanto não for eliminada a ameaça terrorista junto da fronteira do seu país".