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Papa Francisco Visita oficial Birmânia Rohingyas Bangladesh África Lusófona

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Papa Francisco visita Birmânia e Bangladesh

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Homilia do Papa Francisco, em Roma, exortando as pessoas a lutar contra a indiferença aos excluídos REUTERS/Max Rossi

O Papa Francisco, começa esta segunda-feira uma visita à Birmânia, onde deve abordar, drama dos Rohingyas, mesmo que em círculos fechados, com os militares, mas também com o Prémio Nobel da Paz, Aung San Suu Ky, que dirige politicamente o país. O chefe da Igreja católica visitará depois o Bangladesh, onde, para além de autoridades do país, se avistará com um grupo rohingya. 


O Papa Francisco, inicia, amanhã, 27 de novembro, duas visitas, a primeira à Birmânia, tendo como pano de fundo, a discriminação dos rohingyas, e a segunda, ao Bangladesh.

São duas visitas diplomaticamente difíceis para o Papa católico, que vai à Birmânia, budista e ao Bangladesh, muçulmano, com uma mensagem de diálogo paz e reconciliação entre povos e religiões.

Isto quando os militares do governo de Birmânia são acusados pela ONU de levar a cabo uma "limpeza étnica" contra os rohingyas, que não são reconhecidos como nacionais, mas como estrangeiros bengalis.

Aliás, tem havido, um êxodo dos rohingyas, para Bangladesh, o segundo país que o Sumo Pontífice católico visitará logo a seguir à Birmânia.

A viagem à Birmânia ou Myanmar, será "muito interessante diplomaticamente", declarou o porta-voz do Vaticano, Greg Burke.

O Papa que já chegou a denunciar, na Praça de S. Pedro, em Roma, o drama dos rohingyas, não poderá deixar de evocar a situação desse povo, apesar de o cardeal  Charles Bo, arcebispo da maior cidade birmanesa, Yangun, lhe ter pedido para não usar a palavra ronhingya, mas a expressão "muçulmanos do Estado Rahkine" no oeste do país.

É nesse estado que sempre viveu cerca de 1 milhão de rohingyas, mas que devido à violência militar, tiveram que fugir, para não serem mortos. São cerca de 620.000 rohingyas que estão assim a viver no maior campo de refugiados do mundo, no sul de Bangladesh, escorraçados pelos militares birmaneses.

Mas, ainda em território birmanês, o Papa, terá encontros com o Prémio Nobel da paz, Aung San Suu Kyi, que dirige o governo civil, mas também com o general Min Aung Hlaing, o homem forte do regime, que considerou, ser impossível um regresso dos rohingyas à Birmânia.

O padre Bernardo Cervella, director da revista Asia News, agência oficial do Instituto pontifical para as missões estrangeiras, num tom optimista, afirma que o "Papa vai à Birmânia para apoiar Aung San Suu Kyi", que lançou um programa de reconciliação com todas minorias.

Missão extremamente difícil, num país com uma opinião pública anti-muçulmana e onde a Junta militar, apesar de dissolvida, em 2011, continua muito poderosa.

O Papa terminará a sua visita a Birmânia, com uma missa católica, na capital económica, Rangun, onde são esperados cerca de 200.000 fiéis, num país que conta com 90% de budistas e cerca de 1,2% de católicos.

O Sumo Pontífice, viajará logo depois da missa para Bangladesh, a 30 de novembro, onde permanecerá até ao dia 2 de dezembro.

É no Bangladesh, onde o Papa, se encontrará com  "um pequeno grupo de rohingyas" no quadro de um encontro interreligioso.

Segundo o arcebispo de Dacca, Patrick D'Rozario, primeiro cardeal da história de Bangladesh, está fora de questão uma visita do Papa Francisco, ao campo de refugiados dos rohingyas, que ainda "vivem em condições instáveis".

O Papa tem também encontros com autoridades religiosas e políticas no Bangladesh, que enfrenta problemas humanitários muito complicados.

O país está confrontado com um aumento do islamismo radical, que preocupa cerca de 600.000 cristãos, cujas igrejas, são guardadas, 24 horas por dia, por forças de segurança.

Também, no Bangladesh, o Papa Francisco, rezará uma missa, para os cerca de 375.000 católicos, que representam 0,24% dos 160 milhões de habitantes de maioria muçulmana.

Visita do Papa Francisco à Birmânia e Bangladesh 26/11/2017 ouvir