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Iraque Curdos Curdistão iraquiano

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Massoud Barzani vai deixar a presidência do Curdistão iraquiano

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Parlamento do Curdistão iraquiano, Erbil. 29 de Outubro de 2017. SAFIN HAMED / AFP

O presidente do governo regional do Curdistão iraquiano, Massoud Barzani, vai deixar o poder a 1 de Novembro. Massoud Barzani tinha liderado o referendo pela independência de 25 de Setembro, tendo o governo central de Bagdade respondido com o envio de militares para retomar Kirkuk, uma cidade rica em petróleo.


Apesar de uma esmagadora maioria dos eleitores ter votado pela independência, o referendo provocou o aumento dos conflitos com as autoridades iraquianas. Em resposta à consulta popular, o governo central de Bagdade lançou uma ofensiva para recuperar os territórios ocupados pelos curdos para além do Curdistão, nomeadamente a cidade petrolífera de Kirkuk.

Face à crise desencadeada pelo referendo de 25 de Setembro, o presidente do governo regional do Curdistão iraquiano, Massoud Barzani, anunciou, este domingo, que vai deixar o cargo na próxima quarta-feira.

Num discurso televisivo, Massoud Barzani lamentou que, para além das fronteiras do Curdistão, ninguém se tenha manifestado para apoiar a autodeterminação do povo curdo.

O pai da autonomia curda há quase 40 anos criticou os Estados Unidos por terem permitido que tanques fornecidos às forças iraquianas para lutar contra o Estado Islâmico fossem usados contra os curdos. Massoud Barzani sublinhou que sem a ajuda dos peshmergas as forças iraquianas não teriam conseguido libertar Mossul dos jihadistas, deixando uma pergunta: “Porque é que Washington quer punir o Curdistão?”

Massoud Barzani dissolveu, assim, os seus poderes como Presidente, distribuindo-os entre o primeiro-ministro, o parlamento e o poder judiciário.

Esta noite, Arkan Charif, um repórter de imagem que trabalhava para um canal favorável ao presidente Barzani, foi assassinado, em casa, na província de Kirkuk. Desde a perda da cidade, os meios de comunicação social curdos têm acusado as forças paramilitares chiitas Hachdal-Chaabi - aliadas das forças de Bagdade - de cometerem abusos sobre os civis curdos.