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Abertura da 72ª Assembleia-Geral da ONU

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O Presidente Donald Trump durante o seu discurso na Assembleia-Geral da ONU neste 19 de Setembro. REUTERS/Lucas Jackson

Abriu hoje na sede da ONU em Nova Iorque a 72ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, a primeira para o seu Secretário-Geral, António Guterres mas também para o Presidente americano Donald Trump e para o seu homólogo francês Emmanuel Macron, esta nova sessão sendo inaugurada num contexto internacional delicado nomeadamente com a crise do Myanmar e o braço-de-ferro com a Coreia do Norte.


Estas duas questões foram aliás o prato forte do discurso inaugural do Secretário-Geral da ONU que reclamou o fim das operações militares contra os Rohingyas, a minoria muçulmana do Myanmar, assim como "acesso humanitário sem restrições naquele país". Relativamente à Coreia do Norte, António Guterres teceu um alerta sobre o risco de guerra com Pyongyang e apelou a um "mundo sem armas nucleares". Na óptica do Secretário-Geral, a solução "deve ser política".

Esta não é contudo a visão apresentada pelo Presidente americano. Ao qualificar a Coreia do Norte de "regime vicioso", Donald Trump ameaçou "destruir totalmente" aquele país em caso de ataque por parte de Pyongyang. Passando em revista outras questões, considerou "inaceitável" a situação na Venezuela cujo regime apelidou de "ditadura socialista" e disse que "os Estados Unidos estão dispostos a tomar novas iniciativas se o governo venezuelano continuar a impor um regime autoritário".

Relativamente à ideia que reduzir a contribuição americana à ONU, o discurso de Trump não foi no sentido de tranquilizar os seus parceiros quando disse que "a contribuição americana ao financiamento da ONU é injustamente elevada". Os Estados Unidos, refira-se, são os maiores financiadores das Nações Unidas, fornecendo 22% do seu orçamento central e um pouco mais de 28% do valor dedicado às operações de manutenção da paz no mundo. Quanto ao Acordo Nuclear iraniano, Trump que tem acusado o Irão de não estar a respeitar os seus preceitos, tornou a qualificar o texto de "vergonha" e declarou "não podemos respeitar um acordo que autoriza, no final, o desenvolvimento de um programa nuclear".

A poucas semanas de tomar uma posição clara sobre o assunto perante os parlamentares do seu país, ainda ontem, o Presidente norte-americano avistou-se com o seu homólogo Emmanuel Macron que não conseguiu fazê-lo mudar de ideias sobre esse texto. Macron também ainda não conseguiu convencer Trump de permanecer no Acordo de Paris sobre o Clima. À margem da Assembleia, ainda antes de discursar hoje, o Presidente francês contudo preferiu mostrar-se esperançoso de que "o Presidente americano vai perceber que está no seu interesse aceitar o Acordo".