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ONU debate hoje acerca da situação dos rohingyas

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Refugiados rohingyas acabam de passar a fronteira entre a Birmânia e o Bangladesh, em Cox's Bazar, a 8 de Setembro de 2017 REUTERS/Danish Siddiqui

Continua o êxodo maciço dos rohingyas de Mianmar para o Bangladesh, mas a  comunidade internacional encontra-se dividida quanto a esta situação, e ainda não tomou nenhuma media para evitar uma catástrofe humanitária. O Conselho de Segurança da ONU examinará hoje a situação, em Nova Iorque, numa reunião que poderá ser tensa com a China, o principal investidor estrangeiro em Mianmar.


Ontem, Terça - feira, as Nações Unidas anunciaram que cerca de 370.000 rohingyas se tinham refugiado em Bangladesh para fugir da violência do Exército.

A chegada de rohingyas que fogem a pé, debaixo de chuva, e no meio da lama,  está a provocar uma crise humanitária no vizinho Bangladesh, com os  acampamentos de refugiados superlotados. 

Na abertura da 36.ª sessão do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos do Homem, Zeid Ra’ad Al Hussein, afirmou : "A Birmânia tem recusado o acesso dos inspectores, especializados em direitos humanos. A avaliação atualizada da situação não pode ser integralmente realizada, mas a situação parece ser um exemplo clássico de limpeza étnica”.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo no sentido de se acolher estas pessoas em fuga, mas as autoridades do Bangladesh estão a fazer tudo para evitar mais entradas no país.

Os rohingyas são tratados como estrangeiros em Mianmar, um país com mais de 90% da população budista, e são considerados apátridas, apesar de alguns estarem instalados ali há gerações.

A escalada de violência contra os rohinguias começou a 25 de Agosto, quando ataques rebeldes rohingyas contra postos da policia deram origem a violentas represálias do Exercito, que causaram pelo menos 500 mortos, na sua maior parte, membros daquela minoria muçulmana.

Enquanto muitos países criticam Mianmar pela crise dos rohingyas, a China mantém relações com o seu governo - liderado de facto pela Prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi -

Hoje, Pequim manifestou, inclusive, seu "apoio" aos esforços das autoridades do país para "preservar a estabilidade de seu desenvolvimento nacional".

Enquanto muitos países criticam Mianmar pela crise dos rohingyas, a China mantém relações com seu governo - liderado de facto pela Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi –através duma estratégia comercial, energética e de infraestruturas chinesa no Sudeste Asiático.