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Birmânia Muçulmano Repressão Budismo Radical

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Birmânia perante um risco de "radicalização"

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A ONU tem considerado os Rohingyas como sendo "um dos povos mais perseguidos do mundo". REUTERS/Darren Whiteside

Uma comissão internacional dirigida pelo antigo secretário-geral da ONU, Kofi Annan lançou um apelo hoje para que a Birmânia dê mais direitos aos Rohingyas, minoria muçulmana que tem sido alvo de perseguições, sob pena de ocorrer uma radicalizarão desta faixa da população mas também da comunidade budista, maioritária no país.


Depois de se ter avistado esta manhã com a chefe da diplomacia birmana Aung Saan Suu Kyi, que esteve na iniciativa da criação desta comissão internacional, o antigo secretário-geral da ONU considerou que "não há tempo a perder, a situação no Estado de Rakhine estando a ficar cada vez mais instável". Esse Estado no oeste da Birmânia onde se concentra a minoria muçulmana tem sido palco de violências há largos anos, sob o impulso de monges budistas radicais que denunciam os muçulmanos como sendo uma ameaça à cultura deste país onde os budistas representam 90% da população.

Esta corrente de opinião que tem vindo a ter uma influência inegável naquele país, tem feito com que os Rohingyas que são encarados no seu próprio país como sendo estrangeiros oriundos do vizinho Bangladesh, vejam a sua liberdade de deslocação limitada. A situação de 120 mil muçulmanos que vivem em campos de deslocados no Estado de Rakhine é particularmente gritante, uma vez que só podem sair de lá com uma autorização.

Para além disso, desde Outubro do ano passado, o governo birmano tem conduzido uma operação militar naquela zona, uma "política do terror" do ponto de vista ONU, uma política que todavia foi reforçada com o envio de centenas de tropas suplementares no terreno no passado 12 de Agosto. De acordo com as Nações Unidas, centenas de pessoas poderão ter sido mortas nos últimos meses nessa zona do país.

Perante esta repressão, numerosos são os Rohingyas que acabam por fugir rumo ao Bangladesh. Daca calcula que alberga 400 mil refugiados Rohingyas no seu território, estimando-se que só este ano fugiram para lá mais de 3000 muçulmanos. No começo deste mês, uma anterior investigação da iniciativa do governo da Birmânia concluiu que os Rohingyas não estão a ser alvo de exacções. Hoje Kofi Annan referiu que "se o descontentamento da população for ignorado, serão mais fáceis de recrutar pelos extremistas".