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Brasil tenta limitar os danos do escândalo "Carne Fraca"

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O Presidente Michel Temer durante o churrasco de ontem. REUTERS/Ueslei Marcelino

Soube-se na Sexta-feira que se tem comercializado carne estragada no Brasil. No quadro da operação policial denominada "Carne Fraca", foi revelada a existência de uma rede de falsificação de documentos e comercialização da dita carne cujo sabor e cheiro era camuflado com produtos químicos. 33 suspeitos foram detidos e o executivo brasileiro passou o fim-de-semana a tentar apagar o incêndio em torno de um dos sectores-chave da sua economia.


No âmbito desta operação que envolveu 1100 agentes para executar 309 mandados judiciais em 7 estados federais do Brasil, 3 instalações frigoríficas foram encerradas e 33 suspeitos foram detidos, entre os quais funcionários públicos da área da fiscalização sanitária bem como empregados dos gigantes brasileiros da carne BRF e JBS, empresas citadas neste escândalo juntamente com algumas das suas concorrentes.

De acordo com declarações da polícia logo na Sexta-feira, terão sido pagas luvas a inspectores e políticos para que fechem os olhos sobre a comercialização de carne estragada. A polícia referiu ainda que as empresas incriminadas usavam ácidos e outros ingredientes químicos, em quantidades muito superiores àquelas permitidas por lei para disfarçar o aspecto e o cheiro da carne.

Estas revelações tiveram o efeito de uma bomba para um sector que é uma das grandes fontes de receitas para este país em crise. No ano passado, o Brasil exportou quase 6,5 mil milhões de Euros de aves e uns 5,5 mil milhões de Euros de carne bovina para destinos espalhados pelo mundo fora. Daí que o imperativo tem sido de apagar o incêndio. O presidente Michel Temer convidou ontem os embaixadores estrangeiros para um churrasco de carne brasileira e o Ministro brasileiro da Agricultura, Blairo Maggi que se avista hoje com os representantes dos parceiros estrangeiros também quis mostrar-se confiante.

Mas evidentemente isto não é considerado suficiente. A China suspendeu as importações de carne brasileira, a Coreia do Sul reforçou as inspecções e a União Europeia também anunciou que vai tomar medidas de segurança, a Comissão Europeia tendo contudo referido que este escândalo não vai afectar as negociações comerciais que deve ter com o Mercosul no final do mês em Buenos Aires.