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FMM quer esclarecimentos sobre a morte de Ghislaine Dupont e Claude Verlon

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Retratos dos nossos colegas Ghislaine Dupont e Claude Verlon RFI

Numa reportagem difundida ontem à noite no canal de televisão France 2, surgiram novas revelações sobre o assassinato a 2 de Novembro de 2013 em Kidal no norte do Mali dos dois repórteres da RFI, Ghislaine Dupont e Claude Verlon. Nesta investigação é estabelecido um possível elo entre a libertação 4 dias antes dos chamados "reféns de Arlit", detidos durante mais de 3 anos, e o duplo assassinato.

 


De acordo com os numerosos testemunhos e documentos sobre os quais se baseou a reportagem difundida ontem, sugere-se que os sequestradores dos reféns de Arlit -elementos da AQMI- poderiam ter sequestrado e assassinado os nossos colegas alegadamente em represálias de falhas no pagamento de um resgate pela libertação dos reféns de Arlit.

Ao recordar que a execução dos nossos colegas a 2 de Novembro de 2013 foi reivindicada no dia a seguir por Abdelkrim o Tuaregue que na época era um dos dirigentes da AQMI, a reportagem refere que alguns dos presumíveis autores do duplo assassinato foram igualmente os algozes dos reféns de Arlit. "O assassinato dos jornalistas é o mínimo da factura que o Presidente Hollande e o seu povo devem pagar", sublinha o texto da reivindicação do assassinato de Ghislaine Dupont e Claude Verlon citado na reportagem. A utilização do termo "factura" nesse documento intriga os repórteres que, por outro lado, através de diversos testemunhos sobre as operações conducentes à libertação dos reféns de Arlit, estabelecem que terá sido pago um resgate de 30 milhões de Euros, mas que poderia ter havido falhas no processo, provocando a ira de certos intervenientes.

Nesta reportagem que reconstitui igualmente as circunstâncias em que Ghislaine Dupont e Claude Verlon se encontravam em Kidal, no norte do Mali, antes de serem assassinados, é revelado que os nossos colegas estavam a preparar reportagens sobre as conversações dos beligerantes do norte do Mali que estavam prestes a começar, mas que em paralelo estavam igualmente a tentar investigar sobre as negociações que tinham resultado na libertação dos reféns de Arlit 4 dias antes.

A seguir à difusão desta reportagem, na noite de ontem para hoje, FMM - France Médias Monde, grupo que abrange designadamente a RFI assim como o canal de televisão France 24, emitiu um comunicado em que reclama que a justiça prossiga as suas investigações à luz desses novos elementos. Ao recordar o contexto em que os dois repórteres da rádio se encontravam em Kidal, no quadro da "preparação de uma programação especial", Cécile Mégie, directora da RFI, reclama que se esclareça este caso "no sentido dos culpados serem detidos, julgados e condenados".

Cécile Mégie, directora da Radio France Internationale - RFI 27/01/2017 ouvir