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Partido Socialista França Primárias Esquerda Manuel Valls Benoît Hamon

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Duelo das primárias da esquerda francesa em ambiente tenso

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Benoit Hamon à esquerda e Manuel Valls à direita, candidatos à segunda volta das primárias da esquerda francesa. ©JOEL SAGET / AFP

Esta noite, assiste-se na televisão francesa ao único duelo entre o antigo Primeiro-ministro Manuel Valls e o seu antigo Ministro da Educação Benoît Hamon, antes da segunda volta das primárias de esquerda no próximo Domingo com as presidenciais de Maio em linha de mira aqui em França. É um duelo que se anuncia tenso, um duelo entre duas esquerdas, a visão tida como sendo mais "realista", "laicista" e dura do antigo chefe do governo Manuel Valls e a visão mais à esquerda e qualificada de "dadaísta" por certos editorialistas de Benoît Hamon que, contrariando todas as expectativas chegou à frente na primeira volta das primárias do passado Domingo com cerca de 36% dos votos contra 31% para o seu adversário Manuel Valls.


Espera-se portanto um frente a frente tenso à luz das trocas de galhardetes dos últimos dias entre os dois adversários. Para além de criticar o programa "irrealista" de Benoît Hamon, que propõe um rendimento universal de 750 euros para os mais desfavorecidos, Manuel Valls hoje também acusou o seu antigo ministro da educação de ter uma posição "ambígua" relativamente ao comunitarismo e ao conceito de laicidade, um dos aspectos sobre os quais insistiu enquanto chefiou o governo. Em resposta, Hamon acusou Valls de "destilar veneno sem fundamento" e considerou que é necessário "parar de fazer do Islão um problema da República".

O certo é que seja qual for o desempenho de um ou de outro neste debate e sobretudo no voto do próximo Domingo, é uma esquerda dividida que entra em campanha, pelo que o primeiro secretário do Partido Socialista Jean Christophe Cambadélis apelou ainda hoje os dois adversários à "contenção". Noutro nível, quem vencer a primária de esquerda terá que enfrentar a concorrência do candidato de extrema-esquerda Jean-Luc Mélenchon e do antigo Ministro da Economia Emmanuel Macron, situado à direita no xadrez da esquerda. Sobretudo, os obstáculos mais difíceis de transpor nesta corrida são a candidata de extrema-direita Marine le Pen e da direita tradicional François Fillon, ambos na dianteira das sondagens por enquanto.

Refira-se contudo que enquanto a extrema-direita tem estado bastante discreta nos seus pronunciamentos ultimamente, François Fillon voltou hoje para as luzes da ribalta mas de forma involuntária: na sua edição de hoje o jornal satírico "Canard Enchainé" revelou que a esposa de François Fillon foi remunerada durante 8 anos como adida parlamentar do marido e em seguida do seu suplente. Uma suspeita que está desde já a ser investigada pela justiça francesa e que está a colocar em postura desconfortável o antigo Primeiro-ministro de Nicolas Sarkozy que tem apostado numa imagem de "probidade" e "realismo orçamental".