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Homofobia do Daesh discutida no Conselho de Segurança da ONU

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Subhi Nahas, homossexual sírio refugiado nos EUA REUTERS/Mike Segar

O Conselho de Segurança das Nações Unidas consagrou uma reunião de alto nível aos direitos da comunidade LGBT. Vítimas de perseguições homofóbicas pelo autodenominado Estado Islâmico no Iraque e na Síria testemunharam perante os membros do Conselho de Segurança.


Pela primeira vez, desde a sua criação em 1945, o Conselho de Segurança da ONU consagrou uma reunião de alto nível aos direitos da comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais). Vítimas de perseguições homofóbicas pelo autodenominado Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria testemunharam perante os membros do Conselho de Segurança. 

"Nesta sociedade ser-se gay é sinónimo de morte". A frase foi pronunciada por uma das testemunhas que ontem, sob anonimato, falou, via telefone a partir do Médio Oriente, aos membros do Conselho de Segurança.

"Quando os jihadistas do EI capturam alguém, inspeccionam o seu telefone, os contactos e os amigos no Facebook. Eles caçam os gays, um por um", explica esta testemunha de origem iraquiana. E nesta caça aos homossexuais, verifica-se "o efeito dominó: se um caí, os outros também vão cair".

Segundo a Comissão internacional dos direitos dos homossexuais e lésbicas, a organização do EI, desde o ano passado, reivindicou pelo menos 30 execuções de homens acusados de "sodomia".Vídeos e testemunhas asseguram, nos últimos meses, na Síria, nas localidades de Palmira e Deir Ez Zor, vários cidadãos homossexuais foram atirados do cimo de prédios. Actos que aconteceram perante os olhos de "uma multidão em jubilo, que reage com se estivesse num casamento", descreve Subhi Nahas, um homossexual sírio refugiado nos Estados Unidos.

Pela primeira vez, desde a sua criação em 1945, que a ONU dedicou uma reunião à temática dos direitos dos homossexuais. "Já era tempo, 70 anos depois da criação da ONU, que os direitos das pessoas LGBT, que temem pela vida um pouco por todo o mundo, fossem aqui discutidos", declarou Samantha Power, embaixadora americana junto da ONU.

A reunião decorreu à porta fechada, foi organizada pela iniciativa da China e dos Estados Unidos e foi aberta a todos os estados membros do Conselho de Segurança. Angola e Chade, não responderam ao convite, e não enviaram o seu respectivo representante ao encontro. Dos 193 países membros das Nações Unidas, 77 penalizam a homossexualidade, considerada nestes estados como um delito ou crime.