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Incêndio Israel Ataques Igreja Católica Religião cristãos

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Santuário cristão é alvo de ataque em Israel

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Bombeiros apagam incêndio na igreja onde Jesus fez o milagre da multiplicação dos pães. REUTERS

O santuário de Tabgha, construído no local onde, segundo a tradição, Jesus fez o milagre da multiplicação dos pães, foi incendiado na madrugada desta quinta-feira (18) em Israel, em um ato de ódio religioso. A polícia israelense anunciou a detenção de 16 jovens colonos judeus que supostamente estariam envolvidos no ataque. Em seguida, eles foram rapidamente liberados.


"Em um setor próximo à igreja, 16 jovens foram detidos como parte da investigação para verificar o incidente que aconteceu de madrugada nesta igreja do leste de Israel", afirmou a porta-voz da polícia, Luba Samri.

Duas salas do complexo que cerca a chamada Igreja da Multiplicação, na margem noroeste do lago de Tibériade, foram atingidas pelo incêndio. O ataque provocou indignação. "Graças a Deus, a igreja está em bom estado. Estamos contentes que nada tenha acontecido", declarou à AFP o padre Matthias, da ordem dos beneditinos alemães que administra o local.

As chamas destruíram o teto, deixando aparecer o céu entre as vigas carbonizadas. Frades e freiras caminhavam pelos escombros, entre portas e móveis destruídos pelo fogo. Duas pessoas que estavam no local no momento do incêndio foram levadas ao hospital após inalarem muita fumaça, segundo um porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld.

A suspeita de um ato de intolerância religiosa foi imediatamente levantada. Em um muro do templo, os autores deixaram uma pichação em hebraico pedindo a eliminação dos deuses pagãos de Israel, uma referência a uma oração judaica pronunciada três vezes por dia.

Há vários anos, ativistas de extrema-direita e colonos cometem atos de vandalismo e agressões contra palestinos, árabes-israelenses, assim como contra locais de culto muçulmanos e cristãos, como parte de uma campanha que chamam de "O preço a pagar".

Investigação prosseguirá

O santuário de Tabgha já havia sido cenário de um ataque em abril de 2014, pouco antes da visita do papa Francisco à Terra Santa. Segundo líderes católicos, jovens judeus destruíram crucifixos e atacaram religiosos.

A liberação do grupo de jovens não dissipou a suspeita de um ato de ódio religioso. "Entre a pichação e o incêndio, podemos fazer uma conexão e deduzir quem fez isso", disse um assessor da Igreja Católica Romana, Wadie Abu Nassar. O incidente já tem provocado grande comoção muito além das fronteiras de Israel, ele previu. "A imagem internacional de Israel será atingida", ressaltou.

"A terrível profanação de um lugar de oração, antigo e sagrado, é um ataque contra a própria essência do nosso país", declarou o presidente israelense, Reuven Rivlin. "O governo e a sociedade israelense têm o dever de proteger e preservar os lugares sagrados de todas as religiões", insistiu.

O embaixador alemão em Israel, Andreas Michaelis, disse estar "chocado" com o incidente. "Condeno energicamente esses ataques e todas as formas de violência" contra lugares de oração ou contra aqueles que oficiam nesses locais", afirmou em um comunicado. Ele apelou para o reforço da proteção das instituições religiosas.