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China e França assinam contratos avaliados em 20 bilhões de dólares

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China assina acordo de 2,5 bilhões de euros com empresa francesa Areva. Reuters

Durante visita do presidente chinês, Hu Jintao, à França, ONGs acusam Nicolas Sarkozy de sacrificar a questão dos direitos humanos em benefício da indústria francesa. Acordos entre os dois países serão lucrativos para a Airbus, com a venda de 102 aviões, e os grupos Areva, especialista mundial do setor energético, e Total, de gás e óleo.


Mais 15 contratos sobre cooperações comerciais e econômicas entre a China e a França foram assinados na manhã desta sexta-feira na sede do sindicato patronal francês, o Medef. Estiveram presentes o ministro chinês do Comércio, Chen Deming, a ministra francesa da Economia, Christine Lagarde, e a presidente do Medef, Laurence Parisot.

Os principais beneficiados são a Airbus - que vendeu 102 aviões por US$ 14 bilhões - e o grupo Areva, especialista mundial do setor energético, que abocanhou US$ 3,5 bilhões para fornecer 20 mil toneladas de urânio à China. O grupo francês Total, de gás e óleo, também fechou um acordo.

Os megacontratos assinados até agora são avaliados em torno de US$ 20 bilhões para o caixa de empresas francesas.

"Liberem Liu Xiaobo", pedem representantes de ONGs à China

Durante a visita de três dias à França do presidente chinês, Hu Jintao, participantes de organizações não-governamentais reclamaram da ausência do tema "direitos humanos" no discurso do presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Para Louis Gallois, presidente executive da EADS, sede da Airbus, não é possível resolver o problema dos direitos humanos na China impondo barreiras ao setor do comércio.

"Eu não vejo que instrumento comercial poderia ser utilizado para resolver esse tipo de problema. Na minha opinião, a China se desenvolve e evolui à medida em que ela se abre a outros países", afirmou Louis Gallois.

O argumento, porém, não convence representantes de ONGs de proteção dos direitos humanos. Na manhã desta sexta-feira, alguns militantes da ONG Repórteres sem Fronteiras manifestaram em Paris, em frente ao Arco do Triunfo, para pedir a liberação do prêmio Nobel deste ano, o dissidente chinês Liu Xiaobo, que cumpre pena de prisão na China.

Para evitar que manifestantes se aproximem de Hu Jintao, a proteção ao líder chinês foi reforçada pela polícia neste segundo dia de visita. A estação de metrô Charles-de-Gaulle Etoile, que dá acesso à principal avenida parisiense - Champs Elysées - foi fechada pela manhã no momento da passagem do presidente pelo local.

Hu Jintao acendeu a chama do túmulo do soldado desconhecido, embaixo do Arco do Triunfo. Ele também teve encontros com o primeiro-ministro francês, François Fillon, e com o ex-presidente da França Jacques Chirac.

Em seguida, viajou de Paris até a Côte d'Azur, no sudeste da França, um dos destinos turísticos preferidos de milhares de turistas. A escapada à bela cidade balneária de Nice será uma oportunidade para Ju Jintao e o presidente Nicolas Sarkozy debaterem as principais questões internacionais antes da reunião do G20 (grupos dos vinte países mais ricos e emergentes), na semana que vem. O presidente chinês já garantiu à França que vai contribuir para a presidência rotativa francesa que começa este mês.