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Moçambique: acordo entre Governo e a RENAMO

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Chefe de Estado de Moçambique, Filipe Nyusi, e o presidente da Renamo, Ossufo Momade, na Gorongosa a 1 de Agosto de 2019. Lusa

Pela terceira vez na história um acordo foi concluído entre o governo moçambicano e a Renamo, antiga guerrilha. O acordo de cessação de hostilidades foi rubricado hoje pelos respectivos líderes, Filipe Nyusi e Ossufo Momade no Parque da Gorongosa, centro de Moçambique.


No Parque Nacional de Gorongosa, precisamente na região que foi palco de confrontos regulares entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado da Renamo entre 2013 e 2015, foi assinado esta quinta-feira (1/08) o histórico Acordo de cessação definitiva das hostilidades militares entre o Presidente da República, Filipe Nyusi, e Ossufo Momade, o líder da Resistência Nacional Moçambicana, Renamo, principal partido da oposição.

Para o Presidente da República, Filipe Nyusi, o acordo abre uma nova página no processo de reconciliação nacional"ficam para a história as hostilidades entre membros da mesma família, somos nós, os moçambicanos que escolhemos enterrar definitivamente a confrontação armada...pois sabemos quão nefastos são os horrores da guerra para as presentes e futuras gerações".

Para Ossufo Momade o acordo marca um lugar na história e enterra a lógica da guerra para resolver diferenças politicas:"com o fim das hostilidades aguardamos garantias de livre circulação e disputas limpas, em prol da democracia e da convivência fraterna".

Este acordo de cessação de hostilidades militares acontece depois do início do desarmamento dos guerrilheiros da RENAMO esta segunda-feira (29/07), um processo que se seguiu à aprovação pela Assembleia da República da Lei de Amnistia, que perdoa os crimes praticados durante os confrontos armados, que envolveram as tropas governamentais e os guerrilheiros da principal força política da oposição, após 2014 aquando da assinatura do precedente Acordo.

O líder da Renamo e o Presidente da República deixaram juntos a Serra da Gorongosa com destino a Maputo e devem ambos falar à imprensa mesmo à chegada, no Aeroporto internacional de Maputo / Base Áerea.

Correspondência de Maputo 01/08/2019 ouvir

O acto foi aplaudido pelo antigo estadista moçambicano Joaquim Chissano falando de um momento "histórico".

Por seu lado o presidente do MDM, terceira maior força política, Daviz Simango declarou esperar que o acordo seja duradouro.

E isto defendendo ainda assim que as armas sejam mesmo entregues sob pena do país voltar a conhecer um cenário de hostilidades.

Isto na altura em que encerrou também nesta quinta-feira (1/08) a oitava legislatura da Assembleia da república com apelos à paz, a uma campanha eleitoral pacífica e sem a intromissão das forças de defesa e da policia a favor do partido no poder, para que tambem as eleições gerais agendadas para 15 de Outubro sejam livres, justas e transparentes.

O chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, no seu discurso no parlamento nesta quarta-feira (31/07) prometeu para dentro de dias a assinatura de um acordo de paz em Maputo.

Este seguir-se-ia ao acordo de cessação de hostilidades da Gorongosa, feudo da Renamo, no centro do país.

Um protocolo firmado 27 anos após o fim da primeira guerra civil, com os dois dirigentes a se abraçarem no encerramento da cerimónia.

Este acordo de paz é suposto pôr cobro a um demorado processo negocial iniciado por Afonso Dhlakama, antigo líder histórico do movimento da perdiz, falecido em Maio de 2018, e ocorre escassos meses antes das eleições gerais de 15 de Outubro.

A guerra civil moçambicana decorreu após a independência de 1975 em relação a Portugal e prolongou-se por 16 anos, um conflito que provocou um milhão de mortos e que terminou com o Acordo de paz de Roma de 1992.

As primeiras eleições multi-partidárias tiveram lugar em 1994.