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Apelo internacional para proteger jornalistas em Moçambique

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Um eleitor a votar nas eleições autárquicas, em Maputo. 10 de Outubro de 2018. ANTÓNIO SILVA/LUSA

A Amnistia Internacional lançou, esta sexta-feira, uma acção urgente para exigir a protecção de jornalistas e de activistas em Moçambique. A ONG denunciou ameaças de morte e intimidações sobre oito jornalistas, padres e líderes da sociedade civil depois das eleições autárquicas de 10 de Outubro.


A Amnistia Internacional revelou que oito jornalistas, padres e líderes da sociedade civil foram alvo de telefonemas anónimos e mensagens de texto a avisá-los para "terem cuidado" ou que "têm os dias contados" por terem alegadamente contribuído para a derrota da Frelimo em Nacala-Porto e Nampula.

Paulo Fontes, Director de Comunicação e de Campanhas da Amnistia Internacional 19/10/2018 ouvir

Nós recebemos relatos de várias pessoas que estão a enfrentar ameaças de morte e de intimidação por causa da sua participação nestas eleições. Nós temos, pelo menos, oito pessoas que receberam telefonemas anónimos e mensagens de texto que as acusam de ter contribuído para a derrota da Frelimo, o partido no governo, nas cidades de Nacala-Porto e Nampula, no norte do país”, explicou à RFI Paulo Fontes, director de comunicação e campanhas da ONG.

Questionado sobre o conteúdo das mensagens e telefonemas, o responsável contou que “dizem, especificamente, para as pessoas terem cuidado, que têm os dias contados e é também muitas vezes feita a ameaça que desapareceriam sem deixar rasto”.

“Isto porque atribui-se-lhes a responsabilidade de terem monitorizado assembleias de voto e publicado os resultados das eleições em directo, alegadamente assim provocando a derrota da Frelimo”, acrescentou Paulo Fontes.

Os alvos são jornalistas, padres e líderes da sociedade civil. A Aministia Internacional pede às autoridades que investiguem os casos e responsabilizem os autores das ameaças.

Nampula é a região onde a Renamo conquistou cinco dos oito municípios nas eleições de 10 de Outubro, face a 44 para a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, e um para o Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

Apelo internacional para proteger os jornalistas

Esta sexta-feira, a Amnistia Internacional lançou uma acção urgente para exigir a protecção de jornalistas e de activistas em Moçambique, pedindo às pessoas para escreverem às autoridades moçambicanas. O apelo deve ser dirigido às moradas do ministério da Justiça e da Procuradoria e incluir os pedidos de:

-“Acções imediatas para acabar com as ameaças de morte contínuas e intimidações sobre jornalistas e activistas da sociedade civil e para garantir a sua segurança e protecção das suas famílias”;

-“Uma investigação imparcial, independente e efectiva sobre as ameaças de morte e intimidação contra eles e contra as suas famílias e que os responsáveis sejam levados à justiça”;

Garantir um ambiente seguro no qual os jornalistas, profissionais da imprensa, activistas e defensores dos direitos humanos possam trabalhar sem medo de represálias”.

O Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA) tem vindo a denunciar casos de ameaças e agressão a jornalistas durante a cobertura das eleições autárquicas. A plataforma de observação eleitoral ‘Votar Moçambique’, que junta sete organizações da sociedade civil do país, também constatou a existência de "vários casos de intimidação" sobre jornalistas, eleitores e candidatos da oposição.