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"A forma digna de homenagear Dhalkama é chegar a uma paz efectiva"

Por Cristiana Soares

A morte inesperada de Afonso Dhlakama, líder da Renamo, trouxe à ordem dia a questão da continuidade das negociações de paz em Moçambique.

O líder do maior partido da oposição e o presidente do país, Filipe Nyusi, tinham em mãos as negociações directas, facto que chegou a levar Nyusi por mais que uma vez ao refugio de Dhlakana na Serra da Gorongosa.

Nas cerimónias fúnebres que decorreram na cidade da Beira, Filipe Nyusi, presidente de Moçambique garantiu que a “construção da paz” vai continuar. A assistir aos discursos estavam, entre outros, embaixadores europeus e africanos residentes em Maputo, representantes da Comunidade de Sant’Egídio e o embaixador da Suíça em Moçambique, Mirko Manzoni, que é igualmente presidente do grupo de contacto para a paz no país. Mirko Manzoni sublinha que o momento é de “unidade nacional”.

A Comunidade de Sant’Egídio, de Roma, em 1992, mediou o Acordo de Paz em Moçambique. Hoje, passados que estão mais de 25 anos desse acordo, Maria Chiara Turrini, representante da Comunidade de Sant’Egídio em Moçambique, defendeu que o diálogo deve sempre ser a base do processo de paz.

No mesmo sentido, as declarações de Maria Amélia Paiva, embaixadora portuguesa em Moçambique, que sublinha que a paz efectiva é um objectivo comum que tem de ter por base o dialogo.

A margem da cerimónia, a RFI ouviu igualmente Daviz Simango Presidente do Conselho Municipal da Beira e líder do MDM terceira força política do país. Para Daviz Simango os moçambicanos devem capitalizar a morte de Afonso Dhlakama para criar os pilares essenciais para uma paz definitiva e sublinha que o líder da Renamo colocou sempre o Moçambique à frente de tudo.

Afonso Dhlakama morreu na quinta-feira passada, na Serra da Gorongosa, devido a complicações de saúde. Tinha 65 anos.

Esta quarta-feira, no largo da estação ferroviária da cidade da Beira, cerca de 7 mil pessoas prestaram-lha a ultima homenagem. O corpo do líder da Renano seguiu para Mangunde, a sua terra natal, Mangunde, cerca de 300 quilómetros a sudoeste da Beira, onde ficará sepultado.

O presidente da Renamo recebeu um funeral oficial ao abrigo do estatuto de líder da oposição.