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Moçambique: "O Próximo a Morrer"

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Exército moçambicano patrulha estradas na região da Gorongosa. 26 de Maio de 2016. JOHN WESSELS / AFP

As forças de defesa e segurança de Moçambique e os guerrilheiros da Renamo cometeram graves abusos e violação dos direitos humanos durante o recente conflito armado. A conclusão é da ong Human Right Watch que crítica a falta de responsabilização.


A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) lançou esta sexta-feira em Maputo o relatório: “O Próximo a Morrer: Abusos das Forças de Segurança do Estado e da Renamo em Moçambique".

No documento a organização sublinha que o centro de Moçambique foi palco de violentos confrontos entre as forças de defesa e segurança do país e os homens armados da Renamo entre finais de 2015 e 2016. Um ano depois de ter sido declarado o cessar-fogo, ficaram as marcas nas vítimas e familiares destes conflitos.

Assassinatos políticos, desaparecimentos forçados, ataques contra postos de saúde e hospitais” e casas queimadas, foram alguns dos crimes reportados pela HRW. Em relações aos quais “não há progressos nem responsabilização” evidenciou Iain Levine vice-director executivo de programas da HRW, que acrescentou que “nem o Governo nem a Renamo estão a assumir as responsabilidades pelos crimes cometidos pelas forças que eles controlam”.

Para o relatório de 68 páginas, divulgado na capital moçambicana, a HRW entrevistou 70 vítimas de abusos, agentes da polícia, soldados, políticos e jornalistas.

De acordo com a ong, as forças de defesa e segurança de Moçambique levaram a cabo desaparecimentos forçados, detenções arbitrárias, tortura e outros maus-tratos sob custódia, bem como a destruição de propriedades privada.

A HRW aponta igualmente graves abusos cometidos pelo grupo armado da Renamo, maior partido da oposição moçambicana, comandado pelo líder do partido Afonso Dhlakama, incluindo o rapto e homicídio de figuras políticas que trabalhavam com o Governo ou com a Frelimo, partido no poder.

A Human Right Watch apela ao Governo a responsabilização pelo “graves atropelos” aos direitos humanos que foram cometidos nas zonas de conflito “recomenda, igualmente, a criação de uma base de dados nacional de pessoas desaparecidas, para que se apure quem foi detido, vítima de desaparecimento forçado ou até assassinado no período em causa.

Orféu Lisboa, correspondente da RFI em Maputo 12/01/2018 ouvir