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Guiné-Bissau José Mário Vaz Presidente Domingos Simões Pereira Justiça Corrupção

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PR guineense considera que "coabitação" com DSP era impossível

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Domingos Simões Pereira e José Mário Vaz a 20 de Maio de 2014, aquando do anúncio do resultado das presidenciais. Pouco mais de um ano depois, o Presidente demitiu DSP do cargo de Primeiro-ministro. Liliana Henriques / RFI

Numa longa entrevista concedida à agência Lusa, o Presidente guineense José Mário Vaz aludiu à situação do país, a sua postura perante a justiça do seu país ou ainda a opção de não nomear o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, para o cargo de chefe do governo, uma decisão a seu ver "política".


"Eu não tenho rigorosamente, pessoalmente, nada contra ele" começou por dizer o Presidente antes de acrescentar que enquanto "foi primeiro-ministro da Guiné-Bissau, as coisas não correram bem, porque não conseguiu resolver os problemas, os desafios que se colocavam ao país, e nem se notou algum sinal que pudesse contribuir para ter alguma esperança no futuro". Daí que José Mário Vaz referiu ter tido o sentimento de "que a coabitação entre os dois não seria boa nem para ele, nem para o líder do PAIGC, nem para o país".

Recorde-se que o Presidente guineense demitiu em 2015 Domingos Simões Pereira, então chefe do governo desde o ano anterior, alegando nepotismo e corrupção, o que deu lugar a uma crise que durou quase quatro anos até às legislativas de 10 de Março em que o PAIGC saiu vitorioso.

Por outro lado, aludindo ao período em que foi detido em 2013, no âmbito de investigações em torno do alegado desaparecimento de 12 milhões de Dólares entregue por Angola para a sua aplicação no apoio orçamental à Guiné-Bissau na altura em que era titular da pasta das Finanças (entre 2009 e 2012) no executivo de Carlos Gomes Júnior, o Presidente considerou que se está "no melhor momento para o Ministério Público averiguar essa situação, porque os protagonistas estão todos no país. Estou eu, está a ex-secretária de Estado do Orçamento e Assuntos Fiscais, está o ex-secretário de Estado do Tesouro, está o ex-primeiro-ministro e está a filha do ex-primeiro-ministro".

Ao argumentar ter sido então objecto de "um ajuste de contas", José Mário Vaz considerou que esta detenção de 72 horas tinha tido por objectivo impedir a sua eventual candidatura à liderança do PAIGC. "Os 12 milhões foram utilizados para satisfazer as necessidades do país naquela altura" rematou ainda o Presidente.

Oiçamo-lo.

Presidente guineense José Mário Vaz em declarações à agência Lusa 08/07/2019 ouvir

Referindo-se ainda aos desafios que se apresentam nos próximos meses e nomeadamente as presidenciais marcadas para 24 de Novembro, José Mário Vaz declarou que irá em breve anunciar se vai ser candidato."Primeiro precisamos de fechar os ciclos. Foram as eleições, agora conseguimos realmente empossar o novo Governo, temos a assembleia, em princípio a funcionar em pleno, as instituições do Estado mais importantes já estão praticamente em funções e depois de tudo vou arranjar uns dias para reflectir", declarou o Chefe de Estado cujo mandato terminou oficialmente a 23 de Junho.