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Apesar de situação "dramática" no Open Arms, Salvini não recua

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Vive-se situação "dramática" a bordo do Open Arms REUTERS/Guglielmo Mangiapane

Migrantes do Open Arms terão que desembarcar na ilha italiana de Lampedusa para chegarem aos seis países europeus dispostos a recebê-los, mas Salvini mantém recusa. Oscar Campos, fundador da ONG Open Arms, critica falta de coordenação europeia.


Seis países europeus - Espanha, França, Alemanha, Luxemburgo, Roménia e Portugal- já se mostraram disponíveis para receber os mais de 130 migrantes a bordo do navio espanhol Open Arms. No entanto, para que lá consigam chegar terão que passar uma barreira: a decisão irredutível do ministro do interior italiano, Matteo Salvini em não permitir o desembarque.

É que, apesar da decisão de um tribunal administrativo italiano, que anula o decreto de Salvini a proibir a entrada do Open Arms em águas italianas, em nome da defesa pública, o governante mantém a decisão.

Uma porta-voz da comissão europeia em declarações ao jornal espanhol El País explica que  "não podemos distribuir os migrantes sem que haja um desembarque”, disse. 

Um impasse que mantém os migrantes há 14 dias a bordo do navio, apesar de se encontrarem a poucas milhas da ilha italiana. Esta sexta-feira, o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, veio já denunciar uma situação “dramática” e exortar as autoridades italianas a permitir o desembarque imediato dos migrantes. 

No entanto, em entrevista à RFI, para Oscar Campos, fundador da Organização Não Governamental (ONG) Open Arms o que sobressaia, uma vez mais da situação, é a falta de coordenação europeia nas várias crises migratórias que o bloco tem conhecido. 

Oscar Campos, Fundador da ONG Open Arms 16/08/2019 ouvir

Ainda assim, e segundo a Open Arms, já várias pessoas foram retiradas da embarcação. Duranta o dia de quinta-feira, foram cinco pessoas que sofreram traumas graves, sendo  acompanhadas por quatro familiares. Duranta a noite, foram outros três a precisar de cuidados médicos urgentes e um acompanhamente.

Uma situação que levou, nas últimas horas, a que o estado psicológico dos que ficaram a bordo tenha piorado. "Nas últimas horas a situação, que era já dramática, tornou-se insustentável e corremos o risco de sofrer uma tragédia", explicou ao El País psicólogo a bordo da embarcação.

Dados da Organização Internacional das Migrações (OIM), apontam que desde o início do ano e até 4 de agosto chegaram à Europa mais de 39 mil migrantes através do Mar Mediterrâneo. Um número ainda assim cerca de 34% mais baixo que igual período do ano passado.

840 pessoas morreram até ao momento nesta travessia até ao continente europeu.