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O escravo que se libertou pela música

Por Carina Branco

Joseph Antonio Emidy nasceu na Guiné, em 1775, foi escravo e tornou-se num violinista de renome cuja fama tem atravessado os séculos. Quase duzentos anos depois, os músicos continuam a prestar-lhe homenagem. Neste programa, conheça "o homem que tinha um dom", nas palavras do actor Flávio Hamilton.

Em criança, Joseph Antonio Emidy foi vendido por mercadores portugueses, enviado para o Brasil e depois para Portugal, onde foi violinista na Orquestra da Ópera de Lisboa. Seguiram-se alguns anos a tocar violino a bordo de um navio da Marinha Britânica durante as Guerras Napoleónicas.

Aos 25 anos, conquistou a liberdade e tornou-se professor de violino na Cornualha, na Grã-Bretanha. Fundou as primeiras sociedades filarmónicas orquestrais do Reino Unido, foi director de uma orquestra e compôs vários concertos e sinfonias cujos manuscritos não chegaram aos dias de hoje.

Morreu em 1835, com 60 anos, depois de se ter tornado numa figura de proa da vida musical inglesa nas primeiras décadas do século XIX.

Quase duzentos anos depois, os músicos continuam a prestar-lhe homenagem.

Em França, foi lançado, em Junho, um disco baseado no espectáculo ainda em digressão “The Emidy Project – a odisseia de um escravo músico”, do anglo-nigeriano Tunde Jegede.

O actor cabo-verdiano Flávio Hamilton cruzou-se com a história de Joseph Antonio Emidy, em 2010, quando colaborou com o violinista australiano Jon Rose num espectáculo encomendado pela Fundação de Serralves, no Porto. "Violino Escravo - A true story of a slave violinist" era o nome do projecto.

Ocasião para ficar a conhecer odisseia de um escravo que atravessou oceanos até conseguir a sua liberdade graças à música. “Um homem que tinha um dom. Um dom, pelos vistos, divino”, conta Flávio Hamilton, neste programa.

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