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Novo plano de economias da Air France vai reduzir voos para Rio e Brasília

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Plano de economias da Air France deve atingir o regime de trabalho dos pilotos da companhia. REUTERS/Jacky Naegelen

O novo plano de economias da Air France, que vai atingir rotas deficitárias e privilégios dos pilotos da companhia, é manchete em todos os jornais nesta terça-feira (16). O Brasil será impactado, revela Aujourd'hui en France, assim como a Rússia e o Japão. A frequência dos voos de Paris para Rio de Janeiro, Brasília, Moscou, Osaka e Tóquio será reduzida. A direção da companhia não informou quando irá alterar essas rotas.


O diário econômico Les Echos explica que a direção da Air France declarou guerra contra os privilégios dos pilotos e lançou mão de uma medida inédita: abriu um processo na justiça contra o principal sindicato de pilotos da empresa. Segundo Les Echos, a Air France tem penado para restabelecer a competitividade no mercado internacional da aviação e estima que seus pilotos não estão cumprindo um acordo assinado em 2012, que visava sanear as contas da empresa.

Em 2008, a Air France lançou um vasto plano de economias, batizado de Transform 2015. Desde então, a companhia fechou 14 mil postos de trabalho, mas hoje se dá conta que o esforço ainda não é suficiente para enfrentar a concorrência. Ontem, na abertura do Salão da Aeronáutica de Paris Le Bourget, a Air France anunciou, então, novos cortes e o plano Perform 2020.

Mais € 80 bilhões de economias

A companhia quer economizar € 80 milhões até o final do ano e dessa vez quem vai ter que apertar o cinto são os pilotos. Enquanto as demais categorias profissionais da Air France conseguiram um ganho de produtividade de 20% nos últimos anos, os pilotos contribuíram com apenas 13%.

Le Figaro relata que os pilotos deveriam ter gerado um ganho de produtividade equivalente a € 200 milhões à empresa, mas só realizaram € 130 milhões de economia. Por outro lado, outras categorias profissionais da empresa, como os comissários de bordo, estão próximos de cumprir as metas definidas. A reorganização do trabalho dos comissários de bordo rendeu aos cofres da Air France 16% de economia, o pessoal de solo conseguiu encolher o orçamento em 20% e a área de vendas, em 25%.

Les Echos parabeniza a direção da Air France pela coragem de enfrentar o sindicato dos pilotos. Ao cobrar na justiça o cumprimento dos acordos de produtividade, a direção da maior companhia aérea francesa coloca os pilotos diante de suas responsabilidades.

Em editorial, Les Echos lembra que a greve prolongada dos pilotos no ano passado deu um prejuízo de € 400 milhões à companhia. "Há vários anos a Air France é prejudicada por ter custos mais elevados do que os concorrentes e parte do problema está nos privilégios dos pilotos", estima o jornal.

Les Echos avalia que a Air France está enfraquecida no mercado mundial e não pode se dar ao luxo de manter um regime de trabalho excepcional para seus pilotos. É preciso quebrar esse tabu para garantir a sobrevivência da empresa, conclui o diário econômico.