rfi

No ar
  • RFI em Português
  • Noticiário em Português
  • RFI Mundo

Imprensa Protestos Indígena Barragem

Publicado a • Modificado a

Protesto contra hidrelétrica de Belo Monte é destaque na imprensa francesa

media
Reuters

A ira dos indígenas e dos ecologistas contra a barragem de Belo Monte foi o título escolhido pelo jornal francês Le Monde para ilustrar a reportagem sobre o mais recente protesto contra a construção da hidrelétrica. A mobilização contra a  usina não enfraquece, afirma o jornal se referindo à manifestação ocorrida durante a semana como mais um capítulo da dura batalha dos moradores da região contra o governo.


Citando o porta-voz da conselho indígena missionário, o Le Monde relata que os 600 manifestantes saíram pacificamente do canteiro de obras às margens do Rio Xingu após a decisão da Justiça do Amazonas de expulsá-los do local a pedido do consórcio Norte Energia, que dirige o projeto.

Le Monde lembra que o governo brasileiro se recusou a participar de uma reunião, em Washington, convocada pela Comissão Interamericana dos Direitos Humanos com as comunidades indígenas da região do Xingu. A Comissão já pediu duas vezes este ano a suspensão imediata da construção da barragem, mas o governo nem sequer deu atenção, escreveu o jornal.

A presidente Dilma está disposta a ir adiante com a construção de Belo Monte que prevê a produção de 11% da energia do país a partir de 2019, escreve o Le Monde. Representantes de diversas Ongs foram ouvidos pelo vespertino que deu espaço para as denúncias sobre os impactos econômico e social do projeto.

As Organizações não -governamentais alertam que a situação está alarmante na cidade de Altamira, no Pará, onde estão concentradas as empresas responsáveis pelas obras, devido ao grande fluxo de pessoas atrás de emprego. Os casos de malária aumentaram 200% e o índice de criminalidade cresceu 45%, disseram os ecologistas ouvidos pelo jornal.

Le Monde também relata as críticas de que o IBAMA não cumpre seu papel e só escuta a empreiteria responsável pela barragem. A decisão de um juiz paraense que embargou a obra atendendo aos pedidos de criadores de peixes de Altamira fez o rio Xingu ser poupado de um desvio de seu curso natural, afirmou o jornal.