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Acidente Air France Airbus Voo AF 447

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Jornal francês publica diálogos não divulgados dos pilotos do AF 447

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Uma das caixas-pretas do voo AF447 Rio-Paris. Reuters/Charles Platiau

O Le Figaro desse sábado afirma que teve acesso a parte das gravações contidas nas caixas-pretas do AF 447 que não teriam sido reveladas pelo Escritório de Investigação e Análise, o BEA, no seu ultimo relatório, publicado no dia 29 de julho.


Segundo o jornal, os pilotos do voo Rio-Paris não modificaram a rota do avião apesar de saberem que enfrentariam uma região de tempestade.

O jornal explica que todos os aviões que passaram pela zona do AF447 escolheram mudar seu itinerário para evitar as nuvens carregadas de gelo que poderiam causar o congelamento das sondas Pitot. A meia noite e quinze, o comandante de bordo teria dito ao co-piloto “não vamos deixar que esses cumulonimbus (nuvens carregadas de gelo) nos incomodem”. Posteriormente, o piloto decidiu mudar ligeiramente a trajetória, somente quando o avião já estava muito próximo do fenômeno meteorológico.

Também segundo o jornal francês, 20 minutos antes do acidente, o comandante teria dito a seus colegas “vamos ter turbulências quando eu for dormir”. Isso indicaria que o piloto foi descansar “em conhecimento de causa, alguns minutos antes das turbulências que marcaram o começo do drama”.

De acordo com Le Figaro, o BEA também sabia, mas não falou em seu relatório, que o comandante de bordo não tinha sido aprovado em um exame de “adaptação on line”, em janeiro de 2007. Ele foi aprovado no mês seguinte. O jornal acrescenta que a Air France se negou até agora a enviar ao BEA documentos sobre a qualificação profissional do comandante do voo.

No dia 5 de agosto, o jornal La Tribune, tinha publicado que uma das recomendações de segurança sobre as sondas Pitot, desfavorável a Airbus, tinha sido retirada do relatório, o que gerou a revolta das famílias das vítimas e do sindicato francês dos pilotos de voos comerciais (SNPL). O ultimo relatório do BEA, fez recomendações para melhorar a segurança dos vôos e apontou falhas dos pilotos como causa do acidente com o AF 447, que fazia a rota Rio de Janeiro – Paris que causou a morte de 228 pessoas em maio de 2009.