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Franceses vão às ruas pela descriminalização da maconha

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Fumante participa de manifestação pela legalização da maconha em Vancouver, no Canadá.

Neste sábado, a 10ª Marcha Mundial da Maconha reuniu em diversas partes do planeta os defensores da descriminalização ou da legalização da droga. A exemplo de manifestantes de 16 cidades brasileiras, os franceses também sairam às ruas para reivindicar uma reforma da política para as drogas.


Os organizadores franceses da Marcha consideram que desde 1970 a política conduzida no país para a maconha é um fracasso. No comunicado publicado pelo conjunto das associações participantes, o apelo é claro: "A um ano do segundo turno da eleição presidencial, esperamos que esta mobilização contribuirá para impor a reforma da política atual para as drogas como um tema prioritário das campanhas eleitorais de 2012". Nesta demanda, estão envolvidos o partido Europa Ecologia- Os Verdes e o Movimento dos Jovens Socialistas, a Liga dos Direitos Humanos e associações como Cannabis sem Fronteiras, Act Up e outras.

Os políticos franceses não esperaram a mobilização para debater o assunto. A descriminalização da maconha já tem ardentes defensores, assim como combatentes que fazem um elo da erva com crimes e tráfico.

Stéphane Gatignon, prefeito ecologista da cidade de Sevran, na periferia de Paris, que vive mergulhada em um tráfico incontrolável de drogas, publicou um livro chamado "Para acabar com os traficantes". Em sua obra, ele defende a legalização da maconha. "Sair de uma sociedade de proibição é libertar territórios inteiros do domínio do tráfico e da violência", ele escreve. Quanto aos resultados das batidas policiais, o prefeito ironiza: "É como querer esvaziar o mar com uma colherinha".

A maconha na França

Calcula-se que a França tenha quatro milhões de consumidores regulares, 12 milhões de ocasionais e mais de 100 mil pessoas envolvidas em tráfico. A Missão Interministerial de luta contra a droga e a toxicomania estima que são consumidas 250 toneladas de maconha por ano, das quais 30 toneladas são cultivadas no território.

Desde o começo do ano, a polícia esclareceu 1.115 casos ligados a drogas e mais de 1.000 kg de maconha foram apreendidos.

Os pacíficos fumantes de um "baseado" receberam um apoio de peso, o do ex-ministro do Interior socialista, Daniel Vaillant. Defensor da descriminalização e da legalização, ele é favorável ao cultivo controlado e à venda em estabelecimentos que forneceriam exclusivamente maiores de idade, como é o caso das bebidas alcoólicas.

Entenda os termos:

- Descriminalização: o consumo pessoal de maconha não é mais considerado um crime, mas a droga continua sendo proibida.

- Legalização: a droga pode ser comercializada legalmente e seu cultivo e consumo não são mais considerados como um crime. Este é o caso em alguns países como Holanda, Bélgica, Suíça e Canadá.