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Camarões, Líbia, Imigração ou Muçulmanos de França

Por João Matos

Abrimos esta Imprensa Semanal, com o semanário, JEUNE AFRIQUE, que traz uma grande reportagem e a pergunta: Para onde vai o país, Camarões? 

Crise anglófona, contestação política, mal-estar social, idade do capitão... Cada vez mais, o país de Paul Biya suscita preocupação. Esperando pelo grande diálogo nacional, anunciado para o fim do mês, o semanário faz uma viagem ao coração da nação hirta, mas que sonha com mudança.

Federalismo. Amnistia. Demissão. Durante várias horas, a 10 de setembro, boatos dos mais loucos circularam, alimentados por cenas próprios de filmes de Hitchcock. Na véspera um comunicado anunciava para o dia seguinte um discurso de Paul Biya, pois, não fala em público desde 2018, cerca de 11 anos.

Foi complicado para o Presidente camaronês aceitar, sem ser humilhado, um diálogo para tirar o país duma insurreição anglófona  que tenta sem sucesso esmagar pelas armas.

Gasto por 3 anos de conflito secessionista, sacudido por uma crise pós-eleitoral que perdura e dilacerado por antagonismos étnicos, Camarões é um país que atravessa uma crise existencial. A tensão é tanta que um grande número de camaroneses da diáspora hesitou ir passar férias ao país natal, nota JEUNE AFRIQUE.

Por seu lado, COURRIER INTERNATIONAL, questiona, sobre a Líbia, donde vem o dinheiro do marechal Haftar? Para cobrir suas despesas de guerra e vales da mercearia da esquina, o marechal Khalifa Haftar, o homem forte do leste líbio, tem várias cartas na manga como contrabando petrolífero, apropriação de bens ou ainda exportação de metais ferrosos. Um cargueiro com material de ferro poderia representar para os bolsos do marechal cerca de 677.000 euros.

Haftar, estaria a praticar actividades comerciais predatoras, afirma a ONG, Iniciativa global contra crimes transnacionais, retoma, COURRIER INTERNATIONAL, do jornal britânico, The Independent.

Por cá, em França, LE POINT, faz a sua capa com o que pensam os muçulmanos em França. 68% são favoráveis ao direito de usar o véu nos ciclos prepatórios e liceus; 49% de menos de 25 anos desejam que a laicidade se adapte ao Islão e 67% são tolerantes em relação à homossexualidade. São números de um inquérito do Instituto de sondagens, IFOP, encomendado pela Fundação Jean-Jaurès. 

Segundo o politólogo Jérôme Fourquet, que analisa as práticas muçulmanas nos últimos 30 anos em França, a evolução não aponta para uma sociedade secular mas para a uma reafirmação identitária e religiosa. Recorda também que os muçulmanos não constituem um bloco homogéneo em França. Apenas um terço das mulheres interrogadas no inquérito diz usar o véu.

Em Creil, região suburbana, de Paris, tenta-se virar a página, mas há dois campos irreconciliáveis: aqueles que vêem no véu premissas da implantação de um Islão político e os que o analisam como a manifestação de um racismo latente refugiado atrás do guarda chuvas da laicidade.

Uma laicidade que continua a alimentar paixões logo basta falar-se da escola. O problema é que as tensões emigraram das salas de aula para as cantinas e entradas de estabelecimentos escolares, acrescenta LE POINT.

Enfim, L'OBS, dedica a sua capa ao filósofo, Alain Finkielkraut, que num exclusivo ao semanário fala do seu último ensaio intitulado, Na Primeira pessoa do singular. O filósofo traça o percurso que o levou a criticar o multiculturalismo e chorar pela identidade francesa. Na sua obra responde a acusações que lhe são feitas de ser reaccionário e mesmo racista e do endurecimento do debate intelectual francês, onde reapareceram listas negras  que tinham desaparecidas com a dissidência e o declínio do comunismo.

Alain Finkielkraut, pensa que não mudou mas que foi a esquerda que se transformou.

Mas que relação há entre o jovem de 19 anos nos preparatórios de filosofia do Liceu, Henri IV, em 1968, estudante na Escola Normal Superior, que de estabelecimento da elite se transforma num ninho de maoistas, com o novo filósofo defendendo a volúpia sentimental contra a revolução sexual, o militante da esquerda anti-totalitária dos anos 1980 ao académico e aquele que pensa que a imigração e o multiculturalismo são um perigo para a nossa civilização?

Ou então o filósofo dos dias de hoje que pensa que a mullher que joga à bola perde a sua elegância?

O filósofo, Alain Fienkielkraut, tem o sentimento que não mudou de rumo, nota o semanário, L'OBS.

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