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Romance de Valério Romão traduzido para francês

Por Miguel Martins

Chega agora às livrarias francesas "Les eaux de Joana", a tradução de "O da Joana", segundo romance do português Valério Romão.

Em causa está a história da gravidez mal sucedida de Joana, aqui contada nesta versão francesa da editora Chandeigne, com tradução de João Viegas.

O autor esteve na RFI onde falámos da sua obra e desta sua triologia sobre "paternidades falhadas" em que se inclui este segundo romance.

A seguir a "Autismo" e a anteceder "Cair para dentro", trata-se do segundo volume de uma trilogia dita das "paternidades falhadas" deste escritor e tradutor luso, nascido em França.

Este é um facto que permite ao autor voltar à terra que o viu nascer em 1974 como Valério Romão começa por nos contar, já que ele viveu no centro leste da França até aos dez anos em Clermont Ferrand, na região dos vulcões.

Uma infância da qual ele não guardou, propriamente, muito boas lembranças tendo-se na altura, refugiado muito nos livros, por ter dificuldade em encontrar aí o seu lugar.

A sua família tendo em 1984 rumado até Tavira, no Algarve, em Portugal, país onde ele se radicou desde então.

Valério Romão escreveu, pois, três romances que pegam em temas que abordam contextos familiares.

"Autismo" versa sobre a extrema dificuldade de comunicação numa família com uma criança autista (o autor é, também, pai de uma criança autista).

"O da Joana" prende-se com uma gravidez falhada: Joana acaba aos sete meses de gravidez por dar à luz um nado morto, quando a maternidade era o projecto de toda a sua vida.

"Cair para dentro", o terceiro volume, tem que ver com a relação mãe filha, com em pano de fundo a doença de Alzheimer e a inversão de papéis pelo facto de a filha ter que assumir um papel de mãe em relação à sua própria mãe.

"O da Joana" conta já com versão italiana e, agora também, francesa.

A França que tem também já traduzidos contos de Valério Romão, escritor que também já escreveu peças de teatro.

A sua escrita tem-lhe granjeado críticas particularmente elogiosas, tendo sido finalista em França do Prémio Femina para livros estrangeiros com "Autismo".

"O da Joana" (Les eaux de Joana) é uma obra extremamente feminina com o relato de uma noite contada pela protagonista.

Joana perde as águas com sete meses de gravidez quando ela se tinha organizado metodicamente em função do parto e do nascimento tão desejado.

No hospital ela rebela-se contra a evidência médica de que ela se prepara para dar à luz um nado morto num relato que envereda por um lado irracional, próximo do burlesco.

Um livro que é um verdadeiro murro no estômago, de uma sensibilidade apurada, de um autor que admite influências do checo Franz Kafka, do italiano Dino Buzati ou do russo-ucraniano Nicolas Gogol.

Valério Romão que, em termos de literatura portuguesa reivindica influências de António Lobo Antunes e de José Saramago.

Os muito longos parágrafos lembram, efectivamente, a escrita do Nobel português, não obstante a colocação generosa de vírgulas que facilitam a leitura dos mesmos.

Portugal, Brasil, França e Itália são países onde os seus livros foram editados, Valério Romão que pretende também no final de Outubro deslocar-se à Feira do livro de Maputo, a Moçambique.

Valério Romão formou-se em Filosofia, tornou-se técnico informático e tradutor.

Traduz para português obras em inglês, caso da britânica Virginia Woolf como do irlandês Samuel Beckett.

Tem traduzido também obras a partir do francês, caso do mais recente livro do célebre escritor Michel Houellebecq "Sérotonine".

Valério Romão participa em Paris desde esta terça-feira em várias conferências e debates de apresentação da tradução francesa do seu segundo romance.

Veja aqui o vídeo da entrevista de Valério Romão na RFI.

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