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França unida na morte do ex-Presidente Jacques Chirac

Por João Matos

As primeiras páginas dos jornais franceses estão dominadas por reacções à morte do antigo Presidente francês, Jacques Chirac. 

LE MONDE, titula, a morte de Jacques Chirac. Um destino, uma época. O antigo Presidente da República morreu ontem em Paris. A morte de Jacques Chirac parece unir os franceses de todas as idades. É o irmão, o pai ou o avô de todas as gerações, uma figura familiar para a maioria dos franceses

De Moscovo, a Bruxelas passando pelos países árabes é um adeus a um grande amigo, escreve, LE MONDE.

No  seu editorial, um espelho das contradições francesas, LE MONDE, sublinha que com a morte de Chirac, é toda uma época que se apaga, uma parte da História da França que desaparece: esta França da guerra e pós-guerra, do gaulismo triunfante e acabado, da descolonização e dos 30 anos gloriosos, da alternância e das coabitações, do desemprego de massa e da globalização e da aventura europeia e o seu deslizamento.

Uma certa ideia da direita, replica em título, L'HUMANITÉ. O antigo Presidente Jacques Chirac morreu com a idade de 86 anos e com ele é uma página da História política que é virada.

Uma história francesa, relança, em títula, LA CROIX, que intitula o seu editorial, um longo percurso para sublinhar que Jacques Chirac causou muita desconfiança na sua juventude e que ainda no negativo teve o qualificativo de Rei Preguiçoso.

Mas queremos também recordar o homem de Estado que em 2003 recusou dar luz verde para que a França entrasse na guerra no Iraque. E enquanto líder da direita foi uma barreira à extrema direita.

Sem cerimónia, titula, LIBÉRATION. Monstro sagrado dum mundo político que já não existe, o ex-Presidente, fez uma grande travessia. Do Partido comunista ao RPR, de Corrèze a Paris, Chirac passou 40 anos nos palanques à cata de votos, de um lado, e doutro, a viver como um Rei nos Palácios da República.

Adeus, relança, LE FIGARO, que, no seu editorial, um destino francês, começa por citar Jacques Chirac: "Eu vos amo", lançou, Chirac, em 2007, ao despedir-se  dos franceses. "Nós vos amamos", replicam hoje os franceses, enquanto povo unido na tristeza, ultrapassando as suas diferenças políticas.

Só Deus sabe o quão este homem foi criticado e com violência! Ainda estamos lembrados das palavras da mulher, Bernadette Chirac: "os franceses não gostam do meu marido". Hoje, a emoção nacional desmente a esposa, nota, LE FIGARO.

Sobre Chirac e a África, LE FIGARO, recorda a passagem do antigo presidente pela Argélia, ainda jovem sub-tenente, em 1956. Chirac, recusa ir como intérprete de russo para Berlim e responde ao apelo de Guy Mollet que obteve poderes absolutos, com toda a esquerda inclusivamente os comunistas a apoiá-lo na sua decisão de enviar um contingente para a Argélia.

Chirac faz parte do regime dos caçados de África e a 14 de abril de 1956 desembarca em Oran, à frente dum pelotão de 32 homens.

"Foi um período apaixonante da minha existência", declarava mais tarde Chirac, que ainda na Argélia, assistiu à viragem de De Gaulle que em setembro de 1959 afirma que o recurso à autodeterminação é necessário, sublinha LE FIGARO. 

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